quarta-feira, dezembro 23, 2015

Filhos da puta

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Uma boa sugestão vinda das salinas de Castro Marim

A vida é filha da puta,
A puta é filha da vida...
Nunca vi tanto filho da puta
Na puta da minha vida.
(atribuído a Bocage)


Eu sei que nesta quadra deveríamos ser bondosos e evitar chamar alguém por filhos da puta e muito menos a ministros da Opus Dei, banqueiros com capelas o privativas  no logradouros das suas residências, políticos que em nome das dificuldades do país não dão prendas de Natal à filha, ministras que se inspiram em Jesus Cristo, presidentes que não faltam às missas e muitas outras almas caridosas que temos vindo a conhecer melhor nos últimos tempos. Mas quando ouço num canal de televisão que uma merda de um banco como o BANIF vai custar ao país mais de 3.000 milhões e ouço na rádio que um jovem morre porque o Paulo Macedo poupou uns euros para não ter de pagar nada a médicos que ficam de prevenção nos fins de semana, só me ocorre chamar filhos da puta a esses filhos da puta.

Artistas como Vítor Bento venderam-nos a tese de que os pobres andaram a consumir em excessos,  o falecido (que a terra lhe seja leve) António Borges que concebeu a experiência da desvalorização fiscal a que o país foi sujeito com o apoio do FMI e do Durão Barroso, o banqueiro do BPI que assegurou que o povo aguentaria tudo o que lhe foi feito. Eramos um povo de gandulos, gulosos e piegas que tinham levado o país à ruína.

A solução era empobrecer, atafulhar as turmas das escolas, sujeitar as crianças a exames a toda a hora, aumentar o horário de trabalho, deixar os doentes a morrer nas urgências, castigar tudo e todos numa experiência económica e social revolucionária que tornaria Portugal no país mais competitivo do mundo. Gente com ar esquisito como a Maria Luís e o seu amigo dos Transportes, o não sei quê do Portas e a sua bondosa Cristas vinham reeducar o país á força de cortes, emigração, miséria e humilhação colectiva.

Agora sabemos que há milhares de milhões para a banca, já tínhamos tido o BPN, depois veio o BES, agora seguiu-se o BES, ninguém dá nada pelo Montepio Geral e o BCP também não aparenta grande saúde. Os tais que consumiam acima das suas possibilidades deixaram de o fazer à força de emigração, estagnação económica, emigração e doença, mas graças a Deus já deixaram de ser piegas, já são poupadinhos e já podem suportar o refinanciamento dos capitais de todos os bancos, os tais de que Cavaco se orgulhava de ter privatizado, os dos amigos do mesmo Cavaco, os da madeira tão visitada pelo mesmo Cavaco e mais os que venham a falir.

Agora sabemos que o país foi ludibriado, que os grandes favores que o Barroso nos fez pois aconselhar-nos a comer e calar, a esconder o buraco no BANIF para que os seus concidadãos imbecis votassem na direita, que a justiça se esfalvava na tentativa de lixar o Sócrates mas não tem base legal para perseguir quem destruiu muitos milhares de milhões de euros.

Este é um país de filhos da puta que vão viver luxuosamente durante esta quadra natalícia enquanto os portugueses piegas, os portugueses que consumiam demais, os portugueses que ganhavam em excesso, os portugueses irresponsáveis receberam mais uma prenda de Natal, desta vez foram 3.000 milhões. Se juntarmos aos do BPN e ao que pode vir a custar o BES já vai em 20.000 milhões e ainda faltam outros que vão aparecer. Como é que meia dúzia de banqueiros num pequeno país como o nosso conseguiram destruir mais de 20.milhões de euros? Quanto é que ganharam os que fizeram vista grossa? Quantos presidentes foram eleitos e quantos chegaram a ministros com o financiamento de dinheiro sujo? Quantos jornalistas falsearam a verdade pagos por generosos orçamentos publicitários? Quantos jovens e menos jovens morreram, emigraram ou estão no desemprego para que estes filhos da puta vivam à grande e à francesa?

Que é feito dos filhos da puta que foram a São Bento pedir a Guterres para que defendesse os centros de decisão em Portugal? Onde estão os filhos da puta

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