domingo, dezembro 27, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Fernando Costa, dirigente do PSD

É preciso lata para ignorar a responsabilidade colectiva da coligação de direita, dos seus dois partidos e do maldito governo dessa coligação para vir agora dizer que Paulo Macedo deve pedir desculpas. Passos Coelho sabia o que se passava e era igualmente responsável, é ao ex-primeiro-ministro que cabe vir a público explicar como é que morriam portugueses enquanto ele ajudava os banqueiros madeirenses com mil milhões de euros.

«“Dr. Paulo Macedo, quando vem pedir desculpas públicas às famílias e aos portugueses”, questiona numa mensagem publicada este sábado no Facebook, lembrando que avisou o ex-ministro “no último congresso do PSD que isto ia acontecer”.

Fernando Costa, que é vice-presidente da mesa do congresso, considera que os cinco casos de morte registados naquele hospital desde 2015 são “uma vergonha para Portugal e um crime”, adiantando que os casos a lamentar não são só estes. “Há mais, como o Brochado, das Caldas da Rainha e outros. E quantos com sequelas graves?”.» [Observador]
  
 A campanha natalícia do Cata-vento

O candidato Cata-vento mal descansou no Natal porque correu para a porta do Hospital D. José para ganhar alguns votos à custa da morte de um jovem vítima do extremismo das políticas da PàF, a coligação da direita em cuja campanha eleitoral se empenhou. Mais uma vez Marcelo passa a mão pelo pelo dos eleitores da esquerda defendendo o SNS, algo de que se esqueceu nos últimos quatro anos.
  
Porque é que quando morreram vários cidadãos abandonados nas urgências dos hospitais o Cata-vento não foi para a porta de  nenhum hospital discursar em defesa do SNS?
  
No passado mês de Abril o Cata-vento não pediu o apuramento de responsabilidades em nome da democracia, nem afirmou a defesa do SNS, estava mais preocupados com os danos para o governo e o seu problema não eram as mortes mas sim a forma como o governo reagiu, o Cata-vento preferia o silêncio:

««Há estrangulamento. Todos nós já vimos aquela situação. Em relação ao secretário de Estado, eu diria apenas isto (que aliás já lhe disse): realmente o melhor era não ter comentado. Há momentos em que o melhor é não comentar, porque quando a pessoa comenta há um risco muito grande de não sair bem e o que se disser pode ser contraproducente».» [TVI24]
  
O problema na altura eram os estrangulamentos e o erro do governo esteve apenas na forma como comentou o problema. Nesta altura o Cata-ventoera um candidato que ainda não era candidato e dedicava o seu tempo de antena ao apoio semanal ao governo da direita.
 
Aliás, em cima dos acontecimentos Marcelo não condenou, não exigiu o apuramento de responsabilidades, não defendeu o SNS, justificou a situação dizendo que não se podem fazer omeletes sem ovos (TVI24)

 Austeridade ou sacanice

Cortar meia dúzia de tostões para que os médicos não estejam de prevenção durante os fins de semana é bem pior do que austeridade, quem pratica a austeridade é austero, quem adopta medidas das quais sabe que resultarão mortes não é uma pessoa austera, é um canalha e é isso que é o dr. Macedo, um verdadeiro canalha.

Paulo Macedo sabia que não estava poupando grande coisa, o que ele pretendia não era poupar, era destruir o SNS destruindo a confiança dos portugueses nos seus serviços. Assim promovia o desvio de todos os que dispõem de recursos para pagar serviços de saúde para o sector privado.

 10.000 euros

É quanto ganhava Luís Amado para andar a dar entrevistas defendendo que o PS devia apoiar um governo de direita.

      
 Por que é que se pode acabar com tudo menos com os bancos?
   
«A história do Banif é exemplar dos tempos que correm. Ela mostra tudo o que está errado nas políticas europeias e nacionais, se é que se pode falar ainda de “políticas nacionais”. Aliás, o caso do Banif revela até que ponto os governos aceitam ser geridos pela burocracia europeia não eleita, em decisões objectivamente contrárias ao interesse nacional e à sua própria vontade, eles que são eleitos. Este é um dos aspectos mais preocupantes da actual situação política portuguesa e europeia, a utilização muitas vezes abusiva e excessiva, das chamadas “regras” europeias para impor políticas ideológicas conservadoras e soluções que correspondem a interesses particulares de outros países, de outras bancas, de outras economias, a Portugal. Ou pensam que é tudo neutro e “técnico”?

Chegados à porta da burocracia europeia, – e as decisões tomadas sobre o Banif são tomadas pela burocracia de Bruxelas que acha que sabe melhor governar Portugal que o voto dos portugueses, –  encontramos uma entidade que não é neutra, que serve os interesses políticos e económicos dos maiores países europeus em que não ousa tocar nem ao de leve, e cujo afã de “uniformização”, sendo típico das burocracias, leva a aplicar critérios que nem a banca alemã cumpre, a economias debilitadas como a portuguesa. Ao impedir a incorporação do Banif na CGD, – que, lembre-se, Passos Coelho queria privatizar, – actuou contra o interesse nacional legitimamente interpretado por um governo eleito. Seria bom que o senhor Presidente da República nos falasse então do “superior interesse nacional”.

A história do Banif mostra também o modo como se transformou um conjunto de interesses económicos parciais numa lei de bronze da economia e da política que deriva não de opções políticas, ou, como diriam os marxistas, de “classe”, numa emanação sem alternativa da “natureza das coisas”, da “realidade”. Estes anos de “ajustamento”, que nada “ajustou” a outra coisa que não fossem certos interesses presentes na economia e na política, também mostra como se desbaratou a já escassa “boa-fé” do Estado, como se está a destruir a democracia e o controlo dos conflitos que ela permite, e como se fez ascender ao poder uma mistura de ideólogos radicais de direita, de aparelhos partidários de grande incompetência e que nada sabem do seu país, de gente medíocre que se tornou salvífica pelo serviço que prestaram a interesses particulares presentes na economia. Não à “economia”, mas a certos interesses presentes na economia e que condicionam e capturam as políticas europeias e nacionais.

O que mostra o Banif? Que os bancos podem falir como qualquer outra empresa, mas que as consequências dessa falência são pagas sempre pelo dinheiro público. Ou seja, podem falir, mas não podem falir. São intangíveis a tudo aquilo que é para o comum dos cidadãos o “ajustamento”, não fecham, não se liquidam, essa interessante palavra, os contratos são de natureza diferente daqueles que se podem romper com toda a gente, menos com… os bancos. Com eles pode-se gastar milhares de milhões de euros sem pestanejar, nem ter que estar sempre a responder à pergunta “quanto custa” que os jornalistas repetem ad nauseam sempre que se fala de salários, pensões e reformas. A pergunta é feita uma vez, por descargo de retórica, e depois a lógica dos debates é sempre de natureza diferente daqueles que a mesma pergunta suscita se se tratar de aumentar o salário mínimo, ou de repor pensões de centenas de euros. A banca é sempre uma excepção e contestar essa excepção, – a da “saúde” do sistema financeiro que claramente está acima da saúde dos portugueses, – é “ideologia” como disse o Presidente da República numa das suas mais ideológicas intervenções em nome da “realidade”.

Outro aspecto da ideologia que se esconde na “realidade”, é pouca gente se perguntar que estragos maiores faria ao país, se o Banif fechasse. O governo diz que seria mais caro, mas eu estaria mais à vontade em pagar um preço mais caro (hipótese sobre a qual tenho dúvidas), do que oferecer mais um banco português pago regiamente com o nosso dinheiro a um banco estrangeiro que o recebe de graça e ainda com um bónus. Para além disso, percebe-se muito bem que o mecanismo de “resolução”, que em condições normais atribuiria os custos da falência do Banif aos outros bancos, já não está em Portugal em condições de funcionar porque esses mesmos bancos não estão dispostos ou não tem capacidade para suportar os custos da falência de um “irmão” seu. No papel é muito bonito e aparentemente justo, mas pura e simplesmente não funciona, como se viu no Banif e se verá no Novo Banco, ou no banco que se segue.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira

   
   
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