sábado, dezembro 05, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Fernando Pinto, empregado da Barraqueiro

Fernando Pinto esqueceu-se que agora é empregado da Barraqueiro e veio dizer em público que a TAP, uma conhecida empresa privada, já gastou metade do dinheiro que os compradores da empresa injectaram, tanto quanto se sabe por conta da venda de património que vai ser feita.

Apetece responder a este Chico esperto "o que é que nós temos que ver com isso? Quando gastares todo vai pedir-lhes mais porque é coisa a que estás habituado!". Até pode ser que os generosos investidores lhe dêem quinhentos milhões para enterrar noutro cancro empresarial brasileiro, talvez nessa ocasião alguém se lembre de atirar este senhor ao Tejo, pode ser que o Coelhone, tanto se gaba de ter inventado, se atire ao rio para o salvar.

Entretanto, alguém devia sugerir ao senhor que se calasse e que se quer andar armado em político que vá para o Brasil porque ninguém o contratou para deputado da oposição.

«O presidente executivo da TAP disse hoje que a eventual reversão da privatização é uma solução política que tem que ser encontrada, mas considera esse processo difícil e lembra que já gastou metade do dinheiro que entrou com a venda.

“Não sei como se reverte a privatização. Entraram 180 milhões de euros e eu já gastei metade”, respondeu hoje Fernando Pinto à pergunta das agências de viagens sobre como vê esta intenção da atual maioria parlamentar.

“Eu entendo a base política, mas uma coisa é a que se gostaria e outra é a que é possível. Ando há 15 anos a procurar alguém para investir na TAP (…). Tudo é possível, mas acho muito difícil. Estamos num caminho muito bom. Tem que se achar uma solução política para que todos fiquem satisfeitos”, considerou ainda o responsável.» [Observador]

 A geringonça em que está a oposição

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É a primeira vez que um parlamento tem um suposto derrotado no governo e um autodenominado vencedor na oposição, tudo por causa daquilo a que a direita acusa de aritmética, feitas as contas o vencedor tem menos deputados a apoiá-lo do que o derrotado. Mas a anormalidade desta ficção criada pela direita não se limita à aritmética, por incrível que pareça a oposição está unida por uma cordo supostamente feito para governar, enquanto o governo é apoiado por aquilo a que a direita chama papelitos, feitos no pressuposto de se oporem a um governo do dito vencedor.
 
Só mesmo com uma liderança bicéfala formada por Portas e Passos é que esta ficção faz sentido e a partir de agora temos uma oposição que não vota, que não reconhece o primeiro-ministro e que promoveu o desgraçado do Marcelo Rebelo de Sousa a D. Sebastião. A situação é ridícula e é bem capaz de não se fiar por aqui, não me admiraria se Cavaco Silve pedisse a Costa que lhe mandasse os processos para despacho por um estafeta, convocando Passos Coelho as quintas-feiras que lhe restam para despachar as decisões da maioria da oposição.
 
É óbvio que esta geringonça inventada por uma mente endiabradamente doente como a de Paulo Porta pode funcionar durante algum tempo, mas vai acabar por fartar, ninguém leva esta brincadeira a sério. Até porque sendo Marcelo Rebelo de Sousa um inventor de brincadeiras políticas esta estratégia acabará de contagiar a imagem do candidato presidencial da direita radical, ridicularizando-o, vai voltar á memória o famoso vídeo dos Gatos Fedorentos imitando Marcelo a balar do aborto ou mesmo do seu mergulho nos “aflitos” do Tejo quando era candidato autárquico.
 
Mais tarde ou mais cedo a direita pode ter uma surpresa nas sondagens e nessa hora a brincadeira vai acabar, os que não se sentem confortáveis liderados por Paulo portas vão exigir uma separação entre os partidos e na primeira oportunidade alguém vai recordar a Passos o óbvio, que perdeu as eleições e no PSD os derrotados costumam pedir a demissão, algo que ele não fez e para isso inventou esta palhaçada.
 
Nessa ocasião toda a estratégia vai desmoronar-se e os que hoje exigem a Costa que dê a palavra ao povo vão tornar-se em grandes defensores da estabilidade em nome dos superiores interesses do país. Portas não vai querer ir a votos e voltar a ser o partido do táxi, o PSD não aceitará uma coligação em que serão os seus votos a eleger os deputados do PSD. Nessa ocasião o PSD vai reparar que não tem qualquer acordo de coligação com o CDS e o Paulo Portas vai querer situar-se ao centro e ajudar o PS a manter-se até ao fim da legislatura.

 Outra vez o raio da aritmética

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 Quem passou a escrever os discursos de Passos Coelho

«Este Governo sucedeu ao anterior porque o PS, mesmo tendo perdido as eleições, se recusou a viabilizar um para poder liderar outro. Ao fazê-lo, fez uma escolha nada óbvia para os eleitores, admito que mesmo para muitos dos seus eleitores, e colocou-se na posição de favorecer uma soma de minorias que, para ser auto-suficiente, como esta tem a estrita obrigação de o ser, não pode esconder nem disfarçar as raízes anti-europeístas, para não dizer anti-economia social de mercado e de pendor monolítico, logo anti-pluralistas”.» [Grupo parlamentar do PSD]

Um dos dramas dos ex-primeiro-ministros é que ao abandonarem as funções deixam  de contar com os milhões do Estado e com a competência dos funcionários de topo de muitas direcões-gerais. Esse empobrecimento é visível no último discurso de Passos Coelho, até parece que o homem emburrou de um dia para o outro.

 Estes dinamarqueses estão a precisar de um Cavaco!

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Também anda a precisar de ser metidos na linha pelo homem de Boliqueime!

 Uma pergunta a Cavaco

Será que o seu gabinete que estava tão bem informado acerca do reembolso da sobretaxa também já está em condições de garantir o défice abaixo dos 2,7%?

 A anedota do dia
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Não sei se está a contar uma anedota ou a fazer uma palhaçada.

      
 A oposição já tem programa: abolir o hífen!
   
«Primeiro-ministro, a palavra, é o tabu da oposição. Um deputado do PSD que passe por um governante e diga "o amigo é o primeiro ministro que vejo hoje nos corredores", sublinharia logo: "Primeiro ministro sem hífen, atenção!" À direita, a palavra "primeiro-ministro" está tão banida como "bomba" em aeroporto americano. Esta semana, na discussão do programa do Governo, Passos Coelho disse: "Este Governo, assim como o seu chefe..." Kaput ao inominável cargo! Como Portas é só líder secundário da oposição, já pode ser menos radical: "Senhor primeiro-ministro, vírgula, mas senhor primeiro-ministro que o povo não escolheu." E Telmo Correia, ainda mais secundário, também pode dizer o palavrão, já que lhe acrescenta a irrisão: "Primeiro-ministro não eleito." Primeiro-ministro sozinho é que não, é pecado capital, quem o disser denuncia-se como assinante do Avante. Entre a gente bem, dizer "primeiro-ministro" é como dar dois beijinhos na face, sei lá... Um anátema não se explica, diz-se pela boca fora. Telmo Correia - tão contra primeiros-ministros que não são eleitos como tal! -, quando foi ministro (do Turismo), foi com Santana Lopes que, substituindo Durão, saiu da Câmara de Lisboa para ocupar o cargo de primei..., perdão, coiso. E que dizer da semana passada, quando Cavaco empossou o Governo? Vocês julgam ter visto Passos cumprimentar o novo primeiro-ministro, mas não. Dizia-lhe: "Que faz aqui no bairro, António, veio aos pastéis?"» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Dias bonitos
   
«"Está um lindo dia", diz a voz de homem. É de manhã e ele tem à frente mais de uma centena de funcionários da empresa que dirige. Estão ali para ser esclarecidos sobre o destino da dita. Porém, antes de começar um discurso de quase duas horas, o homem põe uma condição: só pode ficar quem garantir que confia nele: "Quem não confia pode ir já embora."

Ninguém sai, aparentemente. E o homem prossegue, certificando ser um bom negociador, o que, explica, quer dizer "ser mais mafioso que os mafiosos." Os mafiosos, sabe-se de livros e filmes, fazem ofertas "irrecusáveis". As aspas em "irrecusável" advêm da essência do ser mafioso: a ameaça e a coação. Crimes, portanto. A dada altura, o homem diz àquelas pessoas que vão na sua maioria ser despedidas e têm de assinar um papel em que prescindem do pré-aviso. É que o pré-aviso, aduz, implica pagar mais um mês de salários, e esse dinheiro não existe. Devem pois acreditar nele e prescindir disso: será a única forma de os despedidos poderem receber as indemnizações, as quais só serão pagas se os que ficam se dispuserem a trabalhar num projeto que ainda não sabem qual é. Há pessoas, poucas, que timidamente questionam. Quantos vão ser os "dispensados"? "Dois terços." É possível não assinarem nada já? "Não, todos têm de assinar, ou acaba tudo aqui". No fim, o homem pede palmas para os acionistas que investiram no projeto e saíram "para não perderem mais dinheiro". Palmas há. E depois, quando ele diz que "vai descansar um bocado", há mais. Palmas.

Sabemos isto porque o homem mandou gravar o plenário - di-lo no início da conversa - para, supostamente, as pessoas poderem "levar para casa e ouvir". A seguir, a gravação foi colocada no site da empresa. Não sabemos se foi pedida aos trabalhadores autorização para tal; não se percebe qual o objetivo. Quiçá o homem tem orgulho no que fez; deve tê-lo, porque, como refere várias vezes, a mulher e filhos estão ali, a assistir.

Isto, que parece mentira, não se passou numa empresa têxtil, nem no Bangladesh. Passou-se numa redação em Portugal. A do Sol e i, jornais que vão fechar este mês. Quem ali estava eram, portanto, jornalistas. E o homem, que se chama Mário Ramires, já foi jornalista também. Jornalistas - esses profissionais dos quais se exige que saibam duvidar, perguntar, sindicar todos os poderes, resistir a pressões, ser independentes, pugnar pelo bem público e pelos direitos das pessoas e só se guiarem pelo seu código deontológico e a sua consciência. Heróis de fábula, em suma - ou que pelo menos façam por distinguir o certo do errado, o legal do ilegal, não aceitando a primeira patranha. Ocorreu isto na mesma semana em que a TV do Correio da Manhã passou imagens dos interrogatórios do ex ministro Miguel Macedo e do ex diretor do SEF Manuel Palos. Como se fosse a coisa mais normal do mundo. E se calhar é, num mundo em que estas coisas acontecem e tanta gente - a começar pelos jornalistas - parece achar normal.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 Cofres cheios
   
«O Governo da coligação PSD/CDS gastou em novembro 278,3 milhões de euros da almofada financeira de 945,4 milhões de euros prevista no Orçamento do Estado de 2015, segundo o relatório da execução orçamental da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que apoia o Parlamento. Com a redução de um terço do montante, a meta do défice está comprometida.

A almofada financeira corresponde ao montante que os Governos incluem nos orçamentos de cada ano (dotação orçamental e a reserva orçamental) para cobrir eventuais despesas excecionais ou não previstas.

De acordo com a equipa da UTAO, em novembro foram retirados da dotação provisional 278,3 milhões de euros, essencialmente para despesas com pessoal dos Ministérios da Educação e Justiça, não sendo prestada informação sobre a evolução da reserva orçamental. Até ao fim de outubro, o anterior Governo utilizara 351,5 milhões de euros: 194 milhões da dotação provisional e 157,5 milhões da reserva orçamental.

Com a informação disponível até ao momento, a UTAO conclui que até novembro foram gastos 629,8 milhões das duas componentes da almofada financeira, o equivalente a dois terços dos 945,4 milhões inicialmente inscritos no OE2015.

DÉFICE PÚBLICO NOS 3,7%
Quando ao défice público, a UTAO estima que tenha ficado nos 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no fim de setembro, um valor acima da meta do anterior Governo para a totalidade do ano. Este é o valor central da estimativa da UTAO que aponta para um défice no intervalo entre 3,4% e 4% do PIB que, corrigido de medidas extraordinárias poderá redzuir-se para 3,5%.» [Expresso]
   
Parecer:

Ainda falta um mês até ao fim do ano pelo que a um ritmo de uma por semana ainda vamos ter mais quatro surpresas antes de entrarmos em 2016. Começa a perceber-se o desespero de se manter no poder e a tentativa de golpe de Cavaco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelo fim do ano.»
  
 A barca dos aflitos
   
«PSD e CDS-PP vão reunir, no mesmo dia, os respetivos Conselhos Nacionais para decidir qual o candidato a apoiar nas presidenciais do próximo ano.

Segundo avança o jornal Público, será Marcelo Rebelo de Sousa o escolhido pelos dois partidos na próxima quinta-feira, dia 10.

A escolha é evidente sendo este o único candidato de centro-direita que assumiu uma candidatura até ao momento, depois de Rui Rio e de Santana optarem por não avançar.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Deu-lhes a pressa...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Õ fim da impunidade, dizia ela
   
«Ex-secretário-geral do Ministério da Defesa contou aos investigadores do processo dos submarinos, já definitivamente arquivado, ter recebido instruções de Portas para que fosse feito um acordo com o consórcio que o BES integrava. Disse ainda ter tido um único encontro com Portas depois de sair do Ministério da Defesa: o ex-ministro estava interessado em saber que documentos tinham os investigadores levado da casa do ex-secretário-geral durante as buscas

Bernardo Carnall, ex-secretário-geral do Ministério da Defesa, foi chamado a testemunhar no processo dos submarinos a 7 de Maio de 2013 e prestou aquele que seria um dos depoimentos mais comprometedores do inquérito que investigou suspeitas de corrupção na aquisição de dois submarinos pelo Estado português, em 2004.Carnall tinha como funções gerir o orçamento e intervir no concurso para aquisição dos submergíveis. Chamado a explicar o processo de decisão, implicou Paulo Portas, à data ministro da Defesa, e também Amílcar Morais Pires e Ricardo Salgado, enquanto representantes do Banco Espírito Santo (BES) no negócio.

Como era necessário financiamento bancário, foram convidadas várias instituições financeiras. No final do terceiro trimestre de 2013, a equipa entendeu que as melhores propostas vinham do Deutsche Bank e do consórcio CSFB/BESI. Na proposta inicial, o segundo consórcio apresentava um spread de 19,6 pontos base e o Deutsche Bank um de 26. À partida, o primeiro oferecia o preço mais baixo e, por essa razão, num sábado ou domingo de manhã, Paulo Portas transmitiu a decisão de optar por aquele consórcio. Só que mais tarde, Bernardo Carnall terá percebido que algumas cláusulas previstas nos anexos aumentava o risco de os custos futuros virem a ser, afinal, bastante mais altos do que a proposta do Deutsche Bank.» [Visão]
   
Parecer:

Este é o processo mais duvidoso da história recente do MP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reabra-se o processo.»

 Pobre João Duque
   
«Dados divulgados pela UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) revelaram que o anterior governo gastou 30% da almofada financeira num mês, deixando pouca margem de manobra para o Executivo de Costa até ao final do ano.

Na ótica de João Duque, pode haver uma explicação para os dados divulgados. O economista levanta a hipótese de o Governo de Passos ter antecipado uma série de pagamentos para que a meta dos 3% do défice fosse cumprida.

No entanto, se esse não for o caso, a meta imposta a Passos não será alcançável. “É possível que os governos que cessam funções tivessem [contas] penduradas. Este dispêndio grande concentrado no final do mandato do governo anterior pode ser um conjunto de situações destas”, diz João Duque, na antenda da Rádio Renascença.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O João Duque dá tantas cambalhotas para defender o seu governo que se arrisca a ficar com bicos de papagaio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

   
   
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