sexta-feira, dezembro 04, 2015

O Derrotado

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O Passos Coelho que o país viu ontem não foi o líder que venceu, o país viu um derrotado que falou como tal e que sentado mal conseguia fazer um sorriso, estava acabrunhado. O seu discurso não foi o de alguém que mostrava força e vontade de vencer, foi o discurso de um candidato a D. Sebastião, alguém que sabe ter perdido a última batalha, que morreu nessa mesma batalha, mas como não o enterraram é um morto vivo errante que acredita no regresso ao poder.
  
Passos Coelho já não pediu eleições antecipadas, depois da trafulhice da sobretaxa, dos dados que aponta para a estagnação económica e da percepção de que o défice pode ser superior a 3% só um doido quereria eleições antecipadas. Isso até Cavaco Silva já tinha concluído, por isso mesmo empossou António Costa mas fê-lo o mais tarde possível na esperança de prejudicar  país e assim favorecer a direita.
  
Passos Coelho agora é o D. Sebastião de São Bento, não está lá para pedir eleições antecipadas, para discutir as medidas do governo, ele está no parlamento ara que no dia em que o governo precisar dele para salvar o país ter de se demitir em troca da mudança de posição da direita. Passos Coelho justifica esta exigência com a aliança à esquerda decidida pelo PS, mas a verdade é que em circunstâncias idênticas Passos exigiu a demissão do governo do PS quando foi pedido o resgate com o apoio do PSD e do CDS.
  
Passos não está no parlamento para defender o melhor para o país, está lá na esperança de poder beneficiar de uma desgraça que aconteça ao país. Passos é um candidato vazio sem um projecto político que viabilize uma vitória eleitoral, é por isso que aposta na desgraça e pela primeira vez o país tem um líder da oposição a desejar uma bancarrota para poder ser primeiro-ministro.
  
O que dirão os militantes do PSD que perderam os seus lugares de conforto quando o seu partido perdeu as eleições autárquicas por causa do extremismo de Passos Coelho? O que dirão os deputados do PSD que só o foram durante dois meses, até ao regresso da tralha governamental, e que estavam convencidos de que com Passos tinham subido na sua carreira política? O que dirão as centenas de boys que por esse país fora vão perder os seus pequenos tachos? O que dirão os dirigentes de instituições públicas que perderão bons cargos de administração?
  
Irão perdoar a um Passos que tudo fez para empobrecer os trabalhadores e pensionistas e que na hora de se manter no poder já inventava medidas facilitadores que recuavam nestas famosas reformas? Dirão que hoje caíram em desgraça por causa d extremismo ideológico de Passos Coelho e na sua toxicodependência em relação a esse activo tóxico do PSD que é Paulo Portas.
  
Passos não se apresentou como um candidato consistente a primeiro-ministro, não é alguém que chegou à liderança do PSD e acredita na vitória, é uma alma penada que sabe que mais tarde ou mais cedo vai ser exorcizado pelas suas vítimas, de nada lhe servindo espera que um segundo resgate seja o nevoeiro para que reapareça como um D. Sebastião. Até pode ser que seja um D. Sebastião, mas não vai deixar de ser uma alma penada a andar por aí, juntando-se a outros Sebastiões que por cá passaram. Passos sabe que deixou o país armadilhado e conta com a desgraça para voltar a poder aplicar a sua pinochetada económica, mas ignora que os portugueses são menos parvos do que ele os faz.
  
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