sábado, dezembro 29, 2012

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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"rent a fun", Lisboa
   
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Em manutenção [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Vítor Gaspar
 
Na Europa, num país sacrificado por austeridade, com um governo que dizia resolver os problemas cortando nas gorduras, há um país que apesar de aumentos brutais de impostos, de aumentos de taxas moderadoras, de aumentos nos transportes, de cortes nas prestações sociais e de uma redução brutal nos rendimentos de funcionários e pensionistas , revela-se incapaz de produzir um OE viável, não acerta numa previsão e não tem competência para controlar o défice.

Esse governo tem um ministro das Finanças que anda por aí armado em mago da economia, que passa o tempo em Bona dando conferências e que dedicou uma conferência em Nova Iorque dedicou o tempo a falar mal de um governo do seu próprio país para promover o auto elogio e realçar as suas opções. Agora o país está à beira do desastre, o ministro perdeu o bom humor e anda mais desaparecido do que o Paulo Portas.

Apareça Gaspar, dê a cara, assuma as responsabilidades, fale da sua política com o mesmo rigor que falou do anterior governo, vá lá, tenha coragem! Ninguém lhe fará mal, mas se mesmo assim tiver receio traga o seu batalhão de guardas pessoais da GNR, vá lá, dê a cara pelas consequências das suas políticas, assuma o falhanço das suas opções, ou então faça o que já devia ter feito, demita-se e sugira ao seu amigo Passos que faça o mesmo, aproveitem que ainda vão a tempo de passar o ano em Massamá.
 
«"Tomando como referência valores acumulados dos três primeiros trimestres de 2012, o saldo situou-se em -6.929 milhões de euros, correspondendo a -5,6% do PIB (-8.528 milhões de euros no período homólogo de 2011, -6,7% do PIB)", afirmou esta sexta-feira o INE no destaque publicado com as contas nacionais trimestrais por sector institucional.
  
Nos 12 meses terminados no terceiro trimestre, o défice das Administrações Públicas teve uma melhoria de 0,1 pontos percentuais, comparando com o ano terminado no segundo trimestre de 2012, atingindo 3,5% do PIB.» [CM]
   
 As vítimas do Artur
 
Quando se fala das vítimas do Artur alguém refere as duas pessoas que o senhor matou em cima de passadeiras de peões e que deixou ao abandono ou tentou deixar? Não senhor, fala-se de jornalistas finos e de ricaços que se reúnem em palacetes para discutir a crise que lhes é alheia, pelo menos na perspectiva das medidas de austeridade. Os que morreram na passadeira e que não mereceram mais do que ligeiras penas suspensa é populaça, gente inferior. O verdeiro escândalo não está em saber como é que alguém mata dois cidadãos em cima das passadeiras numa pequena localidade e a justiça o trata com meiguice, o escândalo que até põe a PGR a acompanhar o assunto foi o Artur ter mostrado ao país como muita dessa intelectualidade que se passeia nas televisões, colóquios e seminários nem valem a gravata de seda que exibem.
  
E só o Artur é que é burlão, só ele é que anda a burlar o país, é ele que anda a burlar todo um povo, foi ele que burlou uma nação e desviou as ajudas comunitárias destinadas à formação profissional, foi o Artur que enriqueceu com o dinheiro dos contribuintes destruído pelos amigos do pessoal do BPN? Querem ver que o Artur é o responsável pelas burlas de toda essa gente, burlas que conduziram o país à miséria? É o Artur que faz as previsões que acompanham os orçamentos do Vítor Gaspar? Foi o Artur que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição que hoje tem um papel meramente decorativo na ordem constitucional portuguesa?
  
Pois é, esse maroto do Artur é mesmo um grande burlão, todos os outros são os burlados!
  
Como diria o Scolari "e o burlão é o Artur?".

 Mensagem de retribuição ao Pedro e à Laura
   

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"Caro Pedro,
 
Antes de mais os meus sinceros agradecimentos pela amabilidade que tiveste em prescindir dos poucos momentos em que não tens que carregar o país às costas, para pensar um pouco em nós e nos nossos natais.
 
Retrataste com a clarividência de poucos a forma penosa como atravessamos esta quadra que deveria ser de alegria, amor e união. És de facto um ser iluminado e somos sem dúvida privilegiados em ter ao leme da nossa nau um ser humano de tão refinada cepa.
 
Gostava também de ser interlocutor de alguém que queria aproveitar o espírito de boa vontade que a quadra proporciona para te pedir sinceras desculpas…a minha mãe.
 
A minha mãe é uma senhora de 70 anos, que usufruindo de uma escandalosa pensão de mil e poucos euros, se sente responsável pelo miserável natal de todos os seus concidadãos. Ela não consegue compreender onde falhou, mas está convicta de que o fez…doutra forma não terias afirmado o que afirmaste. Tentarei resumir o seu percurso de vida para que nos ajudes a identificar a mácula.
 
A minha mãe nasceu em Alcácer do Sal começou a trabalhar com 12 ou 13 anos…já não se recorda muito bem. Apanhava ganchos de cabelo num salão de cabeleireiro, e simultaneamente aprendia umas coisas deste ofício. Casou jovem e mudou-se para a cidade em busca de melhor vida. Sem opções de emprego a minha mãe nunca se acomodou e fazia alguns trabalhos de cabeleireira ao domicilio…nunca se queixou…foi mãe jovem e sempre achou que por esse facto era a mulher mais afortunada do mundo. Arranjou depois emprego num refeitório de uma grande fábrica. Nunca teve qualquer tipo de formação mas a cozinha era a sua grande paixão.
 
Depois de alguns anos no refeitório aventurou-se no seu grande sonho…ter um negócio próprio de restauração. Quis o destino que o sonho se concretizasse no ano de 1974…lembras-te 1974? O ano em que te tornaste livre? Tinhas o quê? 10 anos?
 
Pois é…o sonho da minha mãe tem a idade da democracia.
 
O sonho nasceu pequeno, com pouco mais de 3 ou 4 colaboradoras. Com muita dificuldade, muito trabalho e muitas noites sem dormir foi crescendo e chegou a dar trabalho a mais de 20 pessoas. A minha mãe tem a 4ª classe.
 
Tu já criaste empregos Pedro?  Quer dizer…criar mesmo…investir e arriscar o que é  teu…telefonemas para o Relvas a pedir qualquer coisa para uma amiga da Laura não conta como criar emprego. A minha mãe criou…por isso ela não compreende muito bem onde errou. Tudo junto tem mais de 40 anos de descontos para a segurança social. Sempre descontou aquilo que a lei lhe exigia. A lei que tu e outros como tu…gente de tão abnegada dedicação, se entretém a escrever, reescrever, anular, modificar…enfim…trabalhos de outra grandeza que ela não compreende mas valoriza.
 
Pois como te digo, a minha mãe viu passar o verão quente, os tempos do desenvolvimento sem paralelo, o fechar de todas as fábricas da região, os tempos do oásis, as várias intervenções do FMI, as Expos, os Euros, do futebol e da finança…e passou por isto tudo sempre a trabalhar como se não houvesse amanhã. A pagar impostos todos os meses e todos os anos. IVA, IRC, IRS, IMI, pagamentos por conta, pagamentos especiais por conta, por ter um toldo, por ter a viatura decorada, por ter cão, de selo, de circulação, de radiodifusão…não falhando um único desconto para a sua reforma, não falhando um único imposto. E viu chegar as condicionantes da idade avançada sem lançar um queixume. E foi resolvendo todos os seus problemas de saúde que inexoravelmente foram surgindo, recorrendo a um seguro privado, tentando deixar para aqueles que realmente necessitam, o apoio da segurança social. Em mais de 40 anos de contribuição não teve um dia de baixa, não usufruiu de um cêntimo em subsídios de desemprego. E ela dá voltas e voltas à cabeça e não há forma de se recordar onde possa ter falhado. Mas certamente falhou…
 
Por isso Pedro, quando eu lhe li a tua carinhosa mensagem, que certamente escreveste na companhia da Laura e com um cobertor a cobrir as vossas pernas para poupar no aquecimento, ela comoveu-se, e cheia de remorsos pediu-me que por esta via te endereçasse um sentido pedido de desculpas.
 
Pediu também para te dizer que se sente muito orgulhosa de com a redução da sua pensão poder contribuir para que a tua missão na terra seja coroada de sucesso.
 
És de facto único Pedro. A forma carinhosa como te referes aos sacrifícios que os outros estão fazer, faz-me acreditar que quase os sentes como teus. Sei que sofres por nós Pedro. Sei que  cada emprego que se perde é uma chaga que se abre no teu corpo…é um sofrimento atroz que te é imposto…e tudo por culpa de quem? De gente como a minha pobre mãe que mesmo sem querer tem levado toda uma vida a delapidar o património que é de todos. Por isso se a conseguires ajudar a perceber onde errou ficar-te-ei eternamente agradecido. A minha mãe ainda é daquele tipo de pessoas que não suporta a ideia de estar a dever algo a alguém...ajuda-nos pois Pedro.
 
Aceita por favor, mais uma vez, em nome da minha mãe, sentidas desculpas. Ela diz que apesar de reformada e com menos saúde vai continuar a trabalhar para poder expiar o tanto mal que causou.
 
Continua Pedro..estás certamente no bom caminho, embora alguns milhões de ingratos não o consigam perceber.
 
Não te detenhas…os génios raramente são reconhecidos em vida.
 
Um grande abraço para ti.
Um grande beijo para a Laura.


Nuno Barradas
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 Best Fails 2012



  
 Artur e outros burlões
   
«Shakespeare, lembrava ontem Rui Pereira no Correio da Manhã, pôs a verdade na boca de um bobo. Podia também ter escrito que não há fúria na terra como a dos jornalistas gozados.
   
Sim, o sentido de humor faz muita falta. Se o usássemos mais veríamos como esta parábola do Artur nos faz o retrato, na sua genial redução ao absurdo. Com o seu "nós lá na ONU" e o seu discurso ouvido com reverência e sem contraditório, Artur faz alguma diferença de António (Borges) e o seu 'nós lá na Goldman Sachs" ou "nós lá no FMI", o "nós lá na troika" de Abebe (Selassie), ou o "nós lá no BCE" de Vítor (Gaspar)? Num caso é falso e nos outros é verdade, direis. Mas é o lugar de onde se fala que conta, ou o sentido que faz o que se diz, sua verdade e efeito?
   
Que o que o Artur dizia são disparates, ouvimos agora. Admitamos que sim; que é "o que as pessoas querem ouvir", como ontem o diretor do Diário Económico, António Costa, afirmava no Twitter. Mas há dois anos, quando os media clamavam pelo pedido de resgate para a seguir cantarem loas às "soluções" e ditados da troika, e logo depois, durante a campanha eleitoral, repetirem, sem a questionar, a conversa das "gorduras do Estado", era de quê, factos indesmentíveis, que ninguém queria ouvir, que se tratava? Onde estavam os jornalistas económicos quando PSD e CDS juravam que, uma vez no poder, bastaria "cortar no supérfluo" e nada de aumentar impostos, nada de fechar centros de saúde, escolas, racionalizar o Estado, tudo isso que o Governo anterior fazia, claro, por pura maldade? E onde estão agora, que até o Pedro admite ser a generalidade da despesa do Estado com prestações e serviços sociais, os reconhecimentos de terem sido levados ao engano, os mea culpa por não terem feito "o trabalho de casa"? Onde estão as acusações de burla e os apodos de burlão a quem vendeu a história falsa?
   
Difícil encontrar hoje um analista ou jornalista que não faça pouco das previsões do Vitor, não é? Mas quem não se recorda de ter sido apresentado como "um técnico brilhante e apolítico", "uma infalível máquina de contas", e a sua austeridade como "o único caminho"? E já não se lembram de como o Pedro era "um homem sério", "sensato", "bem falante" (!), que "não enganava ninguém", e o Álvaro um brilhante académico que trazia do Canadá a saída para todos os problemas?
   
Artur mentiu, arranjou uns cartões falsos, pretendeu ser autor de um estudo que não é dele e pertencer a uma organização prestigiada que, de resto, nada faz - para não variar da sua atitude geral - para se defender de tal reivindicação. E assim fez discursos, deu entrevistas e chegou à TV. Foi uma bela partida; se fosse a ele fazia disto tese académica ou reportagem, com o título "Como enganei os media portugueses, como são fáceis de enganar, e como enganam quem os consome". Às tantas ganha o Pulitzer. Merece. Até porque, ao contrário dos outros burlões, e tantos são, não nos fez mal algum.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 Então, esse 2018 demora muito?
   
«Em fins de 1997, no aproximar de um aniversário redondo, o cronista brasileiro Joaquim Ferreira dos Santos publicou "Feliz 1958 - O ano que não devia terminar". Um livro cheio de saudades. Em 1958, Oscar Niemeyer traçava Brasília a mando de um presidente sorridente, Juscelino Kubitschek. Nesse ano o Brasil lançou o seu primeiro automóvel, o DKW-Vemag, e foi pela primeira vez campeão mundial de futebol (e com Pelé e Garrincha). João Gilberto com Chega de saudade abria as portas à bossa-nova e Jorge Amado lançava Gabriela, Cravo e Canela. No teatro, Nelson Rodrigues escandalizava, nos jornais, os cronistas chamavam-se Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Sérgio Porto, Millôr Fernandes... Este dizia: "Nostalgia é querer voltar para um lugar que nunca existiu." Está bem, está bem, conversa de quem tem a barriga cheia. Chega de saudade, é???! Quero ver se, daqui a 40 anos, algum português vai lembrar 2012 como o ano que nunca devia ter terminado... A haver evocação, será crítica: como é que os políticos de então (os de hoje), aproveitando a boleia da supressão de algumas datas (5 de Outubro, 1.º de Dezembro...), não decretaram também a supressão de alguns anos? Com a mão na massa de eliminar calendário, faziam-nos passar diretamente de 2012 para 2018 - que é o ano, segundo as últimas promessas, em que isto vai andar melhorzinho. Dava um bom livro: "Feliz 2018 - O ano que não há meio de chegar."» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 2012: o ano dos três orçamentos
   
«Está a terminar o ano de 2012, que foi o primeiro ano orçamental da inteira responsabilidade do actual Governo: foi ele que fez o Orçamento que tem vindo a ser aplicado e é ele o único responsável pela sua execução, de uma ponta à outra.
   
E dificilmente as coisas podiam ter corrido pior: o Governo falhou de tal maneira que o ano de 2012 ficará conhecido como o ano dos três orçamentos.
  
2012, é certo, apesar da relativa acalmia trazida pela intervenção musculada do BCE junto do sistema financeiro e dos mercados, foi ainda um ano de crise e de continuadas incertezas: a situação crítica da Grécia arrastou-se, aumentou a pressão dos mercados sobre a Itália e a Espanha, vários países europeus entraram em recessão técnica na segunda metade do ano. Mas é preciso ter o sentido das proporções: nada disto, por mau que seja, se compara com a surpreendente e profundíssima recessão global de 2009, que nenhum governo do Mundo e nenhuma instituição internacional tinham previsto. Assim sendo, a evolução negativa do quadro internacional, com a expressão que teve, está muito longe de justificar o tremendo desacerto nas previsões do Governo.
   
O facto é que 2012 foi para o Governo, e em especial para o Ministro das Finanças, o ano de todas as surpresas. Começou com a surpresa do desemprego (a previsão inicial do Governo apontava para uma taxa anual de desemprego de 13,4% e a última vai nos 15,5%!) e terminou com aquilo a que o Primeiro-Ministro chamou, na sua entrevista à TVI, a "surpresa orçamental" - materializada na queda das receitas fiscais (sobretudo do IVA) e consequente falhanço da meta do défice.
   
De falhanço em falhanço, o Governo foi apresentando orçamentos sucessivos, a ver se conseguia acertar: apresentou o orçamento inicial em Outubro de 2011, como é da praxe; em Março, ao fim de apenas três meses de execução orçamental, já teve de apresentar um primeiro orçamento rectificativo e em Outubro (com o Orçamento de 2013) apresentou um segundo orçamento rectificativo.
   
O problema é que nem rectificando o Governo acertou. Veja-se o caso do IVA: o Ministro das Finanças começou por prever, no Orçamento inicial, um aumento astronómico da receita do IVA na ordem dos 12,6%, de cerca de 13 mil para 14,7 mil milhões de euros. Em Março, apesar de todos os sinais de queda da receita, fez apenas uma ligeira correcção em baixa apostando ainda num crescimento da receita do IVA de 11,6%, ou seja, um aumento de 13 mil para 14,5 mil milhões de euros. Só em Outubro, finalmente, Vítor Gaspar reconheceu o desastre, passando a prever, apesar do brutal aumento das taxas, uma estagnação da receita do IVA nos 13 mil milhões de euros. Mas nem assim: os dados da execução orçamental até Novembro, revelados pela Direcção-Geral do Orçamento, apontam não para uma estagnação mas sim para uma queda acumulada da receita líquida do IVA de 1,6%, o que significa que a receita está cerca de 200 milhões de euros abaixo da obtida em 2011 - tendência que dificilmente será revertida no último mês do ano. Nem à terceira tentativa o Ministro das Finanças acertou!
  
É por essas e por outras que, chegados ao fim deste ano dos três orçamentos, podemos não saber ainda ao certo o valor do défice real de 2012 - mas todos sabemos que o Governo falhou. E não se trata, como às vezes se pretende, de um mero problema de melhor ou pior "pontaria" das previsões, num tempo de difíceis incertezas. O problema é outro. A verdade é que o Governo falha nas suas previsões pela mesma razão que falha nas suas metas: porque ainda não percebeu a verdadeira expressão do impacto na economia e nas contas públicas da sua desastrosa opção por uma austeridade além da "troika". E esse, está visto, é um problema que não se resolve com "rectificativos". Nem com este Governo.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
     
 Equidade
   
«É assustador a facilidade com que o Estado se permite quebrar o seu contrato social e nacionalizar o rendimento das pessoas.

Eis uma palavra pouco utilizada em Portugal até que a governação passou a ver na mesma uma oportunidade para tentar obter mais receita fiscal. Os bonitos princípios da equidade e da solidariedade passaram a significar mais impostos. E, no final, mais impostos significam recessão, desemprego e mais pobreza transversal à sociedade.

As vítimas recentes da equidade são os pensionistas. 2013 será o ano em que a equidade apregoada quanto à distribuição dos sacrifícios chegará, sem meias medidas, aos que já não têm força para emigrar, através da chamada Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), aplicável a alguns pensionistas "dourados", ou seja, aqueles que recebem mais de 1350 euros. Em alguns casos, a aplicação deste imposto dito solidário, conjugado com as taxas de IRS, significará que o Estado se permite retirar 70, 80 ou mesmo 90% do rendimento de cidadãos.

Só se aplica aos ricos, dizem alguns protagonistas, curiosamente da direita Portuguesa. Isso é irrelevante! Isto porque a democracia tem limites e estes aplicam-se a ricos e pobres. Julgava impossível que, em democracia, algum cidadão pudesse ver o Estado retirar-lhe tamanha fatia do seu rendimento mas, pelos vistos, estava enganado. Se isto não é confisco, o que é? Se isto não é inconstitucional, o que é? Vivemos tempos de grande exigência, mas a acção do Estado não pode ser ilimitada, sob pena de palavras como "democracia" e "liberdade", que não existem sem o direito à propriedade privada, passarem à história.

Sou da geração que tem perfeita noção de que não vai ter reformas compatíveis com os seus descontos e que, se tiver uma reforma mínima já será uma conquista assinalável. Se tiver saúde, também sei que não me vou reformar aos 65 ou muito menos aos 55 anos, como vi acontecer com muitos dos que se aposentaram ao longo das já quase quatro décadas de festejos que a revolução de Abril mereceu em Portugal. Nada disso me assusta. O que é assustador é a facilidade com que o Estado se permite quebrar o seu contrato social e nacionalizar o rendimento das pessoas. E isso é ainda mais gravoso numa altura em que o último garante de sobrevivência de muitas famílias arrastadas pela crise são precisamente os pensionistas da classe média.

Não se deixem os portugueses enganar com a nobreza do princípio da equidade na boca de um decisor político nos dias de hoje. Isso apenas significa que os pobres continuarão pobres, os remediados ficarão pobres, a classe média passa a baixa e a classe alta gastará muito menos. Portanto, se no discurso teórico estas ideias soam bem e parecem justas, na vida real significam desgraça colectiva.» [DE]
   
Autor:
 
Francisco Proença de Carvalho.
     
     
 Há que manter os cassetetes bem dispostos
   
«Numa nota, o Ministério da Administração Interna (MAI) adianta que na GNR, vão ser promovidos um total de 351 militares, dos quais 178 são sargentos e 173 oficiais.
  
Já na PSP, foram autorizadas promoções para 167 elementos policiais nas categorias de subintendente e comissário.
  
Com esta decisão, o MAI "cumpre o compromisso assumido de dar seguimento aos processos de promoção nas duas forças de segurança até ao final do ano", refere a nota do ministério.
  
O MAI já tinha autorizado este ano 3.115 promoções na GNR e 1.067 na PSP.» [CM]
   
Parecer:
 
Principalmente os oficiais...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
      
 Não queriam ajustamento?
   
«Segundo os dados hoje revelados pelo Instituto Nacional de Estatística a taxa de poupança atingiu os 11,2% (até setembro deste ano), e apenas recuando para o terceiro trimestre de 2003 se encontra uma taxa tão elevada (11,5% à data).» [DN]
   
Parecer:
 
Ora tomem lá mais ajustamento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos indicadores relativos ao ano de 2012.»
   
 O n.º 3 trava RTP
    
«Não foi no último Conselho de Ministros do ano velho, e pode nem ser no primeiro do ano novo. As divergências na coligação sobre o caminho a dar à RTP voltaram a atrasar a decisão sobre o modelo de privatização da empresa.
  
Depois de terem prometido uma decisão até ao final de 2012, Passos Coelho e Miguel Relvas apostavam agora em fazê-lo no próximo Conselho de Ministros, dia 3 de Janeiro. Mas Paulo Portas colocou novos entraves à solução preferida do ministro da tutela e nem sequer vai estar presente nessa reunião. No mesmo dia 3 tem marcado o tradicional seminário diplomático de ano novo. E, na melhor das hipóteses, o Governo só decidirá a RTP no dia 10.

O modelo que está, agora, em cima da mesa da coligação passa pela privatização de 49% da RTP a um operador privado, que assumirá, através de um acordo parassocial, a integralidade da gestão e o cumprimento das obrigações estipuladas para o serviço público de televisão e de rádio. Neste modelo, o vencedor do concurso receberá ainda a verba da taxa de audiovisual (que rondará os 140 a 150 milhões de euros anuais).» [Sol]
   
Parecer:
 
É óbvio que Portas vai ceder, arrisca-se a levar com algum torpedo dos submarinos que comprou.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se em que Portas cede.»
   
 A ONU sem noção do ridículo
   
«Artur Baptista da Silva “não é e nunca foi” funcionário das Nações Unidas nem está autorizado para falar em nome do programa para o desenvolvimento (PNUD), reiterou a organização.

Num comunicado oficial, divulgado quinta-feira em português e em inglês no site do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUD confirma que Artur Baptista da Silva “não é e nunca foi funcionário do PNUD, nem porta-voz autorizado para a organização de desenvolvimento global”.» [Público]
   
Parecer:
 
Agora que o Artur é uma anedota é que a ONU vem desautorizá-lo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     

   
   
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