sábado, setembro 10, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia

Com estas declarações Mário Centeno faz duas coisas, contradiz o ministro da Economia e desmente-o quanto alterações das taxas do IRS. Resta saber se o ministro da Economia estava a delirar ou a falar cedo demais, em qualquer caso enterrou-se desnecessariamente ao falar do que não devia falar e muito antes de se darem certezas sobre o IRS.

Percebe-se que o ministro da Economia queira ter um papel mais activo na definição da política económica, mas não é esta a forma mais adequada de o fazer.

«O ministro das Finanças garantiu esta sexta-feira, em Bratislava, que o Orçamento do Estado para 2017 vai manter a “trajetória de redução da carga fiscal” e que as famílias portuguesas não vão pagar mais impostos diretos no próximo ano.

Em declarações aos jornalistas após a reunião de rentrée dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), Mário Centeno assegurou que, “em termos de IRS, as taxas não serão alteradas” e “há um compromisso em relação à redução da sobretaxa que será mantido”.

Questionado sobre se há ou não famílias que possam vir a pagar mais impostos, o ministro começou por observar que “as famílias pagam impostos daquilo que recebem (impostos diretos) e daquilo que consomem (impostos indiretos)”, pelo que não pode “responder se no conjunto de todas essas decisões as famílias vão ou não vão pagar mais impostos”, mas deixou então a garantia de que “de impostos diretos, não”.» [Observador]



      
 Do sótão de Belém
   
«Tenho o direito e o dever de apresentar as coisas tal como aconteceram. Aqui fica a minha verdade, para que a mentira não passe incólume à história." Estas palavras, da autoria de Fernando Lima, o ex-assessor e ex--não-se-sabe-o-quê-durante-os-últimos-seis-anos-de-mandato-presidencial de Cavaco, não são do livro que hoje, quinta-feira, quando escrevo, é lançado, e no qual procederá à denúncia de um imenso puzzle de conspirações, vigilâncias e escutas de que, crê, foi alvo e vítima central, e cujas provas, incluindo comentários anónimos no site do DN e homens de óculos escuros em esplanadas, coligiu nos seis anos em que foi de castigo para o sótão de Belém, sem funções atribuídas.

Não; as palavras citadas são de um texto publicado por Lima em janeiro de 2010 no Expresso, intitulado "A minha verdade", e no qual asseverava ser a notícia do Público, de 18 de agosto de 2009, em que se dava conta de suspeitas da presidência de estar a ser vigiada pelo governo de Sócrates, uma invenção do jornal (fala até de "delírio") a partir de "uma resposta irada ditada pelo absurdo das questões" e transformada em "suspeitas gravíssimas", "numa capa inesperada" que foi "pretexto para fazer explodir a armadilha". A armadilha sendo, explica Lima, a "tentativa de trazer o PR para a liça política" a escassas semanas das legislativas de 27 de setembro de 2009. Exposto como a fonte anónima do "delírio" através da divulgação, pelo DN, a 18 de setembro, de mails trocados entre jornalistas do Público, mails cuja veracidade nega no citado texto ("sem correspondência com a realidade"), o então subordinado de Cavaco enoja-se com o facto de a notícia do DN ser "construída com base numa eventual conversa pessoal obtida pela violação assumida do segredo profissional".

Obrigatório recordar este nojo de Lima, assim como a sua "verdade" de 2010, quando em 2016 revela que o PR lhe deu ordem para a denúncia, ao Público, das "suspeitas de vigilâncias" relacionadas com uma visita à Madeira em 2008 - a "denúncia" narrada nos mails que o DN publicou. Portanto Lima 2016 desmente Lima 2010, viola o segredo profissional e confirma a importância da notícia do DN, ao acusar Cavaco de estar por trás das notícias que saíram no Público e portanto da tentativa de interferir, a coberto de fontes anónimas e insinuações, na "liça política" - e nas eleições. O "delírio" passa a verdade - e a total mentira a célebre comunicação que Cavaco fez ao país sobre o caso.

É repulsiva esta história de vingança, decerto; mas também moral. E o que esta, a moral, diz é que só quem não quis ver não viu que o PR, ao afastar o assessor de funções mas mantê-lo ao serviço estava a calá-lo, e à custa do erário público. É um segredo de Polichinelo, o que Lima trouxe do sótão de Belém - a ver se agora, que está exposto, continua tudo a assobiar para o lado.


Nota: Conheci Lima como diretor do DN, em abril de 2004, quando, vinda de uma publicação do grupo, passei para a redação do jornal com o qual colaborava desde 1998. Não tivemos uma boa relação mas a convivência foi breve: Lima, que entrara no jornal em outubro de 2003, sob protesto da redação, saiu em outubro de 2004.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.


      
 O "saloio de Mação" está com medo das escutas
   
«Temos homem para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, não quer destaque mas sabe sempre onde estão as câmaras procurando-as como faz o Jorge Jesus quando está no banco, a sua linguagem é pobre e não evidencia grande brilhantismo intelectual mas cita Kant e usa palavras caras, poderá não conseguir ler meia dúzia de livros ao mesmo tempo como Marcelo, portanto, nunca poderá ser visto na Praia dos Tomates ou a comer no Gigi, mas é um modelo de virtudes, ele próprio numa afirmação de modéstia assegura que não come, não dorme, não tira férias, pobre homem, enquanto uns deram mergulhos no Tejo, comeram iguarias no Gigi e fizeram body board este humilde juiz quase se esquece de assegurar a procriação.

Numa entrevista que decorreu em Lisboa e em Mação, a sua terra natal, em que nunca aborda os processos que teve ou tem em mãos, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TIC), recusa dar pormenores sobre os sinais dessas escutas por “não as poder comprovar”.

“Sinto-me escutado no meu dia-a-dia, sob várias formas. (…) Por vezes há pessoas que não conseguem estabelecer contacto comigo. O telefone vai a baixo para voice mail quando eu estou em sítios onde há carga máxima e onde há comunicações. Não estou a dizer que há forças dessas…nomeadamente dos serviços de informações. Não estou a imputar”, afirmou o juiz.» [Público]
   
Parecer:

Qem terá a paciência e mau gosto de o ouvir?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Hipocrisia
   
«No dia em que Hugo Abreu sofreu um “golpe de calor” que o levaria à morte e em que outros cinco militares precisaram de receber assistência médica, o grupo de comandos tinha estado a realizar um “carrossel” – um aquecimento para a “prova de tiro” a que o Exército chegou a fazer referência em comunicado. O exercício tem tradição na formação desta tropa de elite. Os homens são levados ao limite das suas forças físicas, até entrarem em exaustão, antes de serem conduzidos para uma simulação de combate.

A primeira semana de formação nos Comandos é de absoluto “choque” para os voluntários. Os militares são levados ao extremo e muitos não passam do primeiro teste, num curso com uma das mais altas taxas de desistência das Forças Armadas.

O “carrossel” funciona assim: de mochila às costas e armas na mão, os militares são posicionados no terreno de forma a desenhar um círculo largo, separados entre si por vários metros. Depois, pousam as mochilas, deitam-se no chão escondidos atrás da “máscara” (o nome dado ao saco), como se estivessem protegidos atrás de um arbusto. Ao sinal do instrutor, correm o mais rápido possível até à posição seguinte, como se estivessem em pleno combate e precisassem de escapar ao fogo inimigo.

No domingo, o exercício foi feito sob um calor abrasador: a temperatura em Alcochete rondava os 36 graus. Segundo o Observador pode apurar, terá sido durante o “carrossel” que Hugo Abreu deu sinais de mal-estar. Faltavam 20 minutos para as quatro da tarde. Assim que a debilidade do furriel foi notada, o instrutor que acompanhava o grupo terá ordenado que o militar se ausentasse do circuito e recuperasse debaixo de uma árvore. Mas, nessa altura, o estado de saúde já seria demasiado grave e o militar, natural da Madeira, acabaria por não resistir ao “golpe de calor” que sofreu.» [Observador]
   
Parecer:

Fazer um treino com mais baixas do que em combate com o argumento que as baixas nos treinos evitam baixas em combate é pura hipocrisia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao comandante da unidade o que espera para se demitir.»

 E agora senhor ministro da Economia
   
«O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta sexta-feira que é ainda “cedo” para discutir o Orçamento do Estado (OE) para 2017 e sublinhou que o ministro das Finanças foi “claro” esta manhã em declarações sobre o IRS.

“Ontem era dia 08 [de setembro] e disse que ainda era cedo para discutirmos o Orçamento. Hoje é dia 09 e ainda não chegámos ao tempo de discutir o Orçamento, que será apresentado no dia 15 de outubro”, vincou António Costa, em Atenas, Grécia, onde está hoje para participar numa cimeira de chefes de Governo de países do sul da União Europeia (UE).

Sobre a carga fiscal a integrar o Orçamento, nomeadamente a nível de IRS, o primeiro-ministro destacou as palavras desta manhã do ministro das Finanças, Mário Centeno, em Bratislava (Eslováquia).

“O senhor ministro das Finanças ainda hoje fez uma declaração bastante clara sobre esse assunto”, assinalou António Costa, antes de sublinhar que o tema que o trouxe a Atenas foi a aproximação de países do sul da UE na procura do crescimento económico e promoção de emprego.» [Observador]
   
Parecer:

P ministro da economia deu um grande tiro no pé, obrigando António Costa a desautorizá-lo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro que tenha mais tento na língua.»

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