sexta-feira, novembro 18, 2016

A solidariedade já não é o que era

Nos tempos épicos do pós-25 de Abril, quando se multiplicavam comissões representativas de tudo e de todos e jornais como a Voz do Povo, do camarada José Manuel Fernandes disputavam as audiências aos jornais diários, havia uma coisa chama da solidariedade. Se alguém tinha razões de queixa do patrão contava com a solidariedade dos seus colegas, se uma empresa estava em dificuldades os trabalhadores das outras ajudavam os colegas da empresa em dificuldades.

Multiplicavam-se as comissões de tudo e mais alguma coisa, comissões de pais, comissões de reformados, comissões de jovens, comissões de mães solteiras, comissões de trabalhadores. Neste aspecto sucede mais ou menos o mesmo nos tempos que correm, há associações patronais para todos os gostos, comissões de utentes que ninguém elegeu, mas as semelhanças acabam aí. Agora a regra é o egoísmo, não há solidariedade de ninguém com ninguém.

Agora, se os trabalhadores da Carris fazem greve os da Barraqueiro fazem horas extraordinárias para transportar os utentes da Carris, se os professores estão em greve os enfermeiros assobiam para o ar. Não é como dantes, quando as greves eram virais, se alguém fazia greve todos se solidarizavam e as greves multiplicavam-se como se fossem gripe.

Esta minha nostalgia vem a propósito da greve dos funcionários público que os sindicatos da CGTP convocaram para hoje e tem razão de ser porque ultimamente foram muitas as vozes revolucionárias que apelaram a Mário Nogueira e aos sindicatos da CGTP que não perdessem qualidades. É por isso que fui ler o João Miguel Tavares, no Público, e o José Manuel Fernandes, no Observador, bem como outros articulistas revolucionários da direita, na esperança de ver como manifestavam a solidariedade aos grevistas.

Fiquei desiludido, o João Miguel Tavares nada escreveu porque faz folga à sexta e o José Manuel Fernandes anda mais preocupado com o Trump, assunto que, como é sabido, levou com a cuspidela do Bruno de Carvalho e foi corrido das televisões, agora o que importa não é saber qual a senhora que o Trump vai agarrar pelo lado errado, mas sim se a cuspidela do garanhão de Alvalade foi no estado líquido ou no estado gasoso.

Gente pouco solidária, andaram a apelar à greve, o Mário Nogueira e amigos fizeram-lhes a vontade e agora esqueceram-se de ser solidários. Enfim, Talvez apareçam logo à tarde na manif, ainda não perdi a esperança de ver a Ana Avoila no meio do Tavares e do Fernandes.

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