domingo, novembro 20, 2016

Semanada

Depois da cena irreal de um Passos a convocar as cortes orçamentais para Albergaria-a-Velha, onde apresentou o seu “faz de conta que é um OE”, prosseguindo a pantomina imbecil do primeiro-ministro no exílio, ao mesmo tempo que o governo apresentava ao parlamento que o apoia o seu OE para 2017, a direita, PSD e CDS, tinha prometido apresentar propostas depois de ouvidos os parceiros sociais, o que em português de direita significa o trio Odemira, o Saraiva da CIP; O João Vieira Lopes dos comerciantes, mais o senhor das mocas de Rio Maior. Mas foi uma desilusão, para além de uma proposta estapafúrdia de transferir receitas do IVA para as autarquias, a direita pouco mais disse durante uma semana.

A consciência da importância do OE por parte da direita é tanta que a meio da semana já era um tema esquecido, preocupada com os grandes problemas nacionais a direita virou-se para as declarações do pessoal da CGD, ao que parece pouco importa a competência dos administradores da CGD ou saber se aquele banco sobrevive. O mais importante é uma tira de cola, saber se os envelopes ficam fechados ou se daqui a duas semanas o CM nos diz qual o administrador do banco público que tem mais casas.

Se os políticos parecem estar parvos, a verdade é que o problema é geral, já todos se esqueceram do Trump e uma boa parte não parece estar muito preocupada com a CGD, o tema que nos ocupa enquanto nação é a escarreta do Bruno de Carvalho. Já só falta candidatarmos o Paulo Futre a Nobel da Física, pelos seus contributos científicos dados em directo na CMTV, para tira teimas o ex-jogador, que dantes prometia aviões de chineses para verem o Sporting, deu umas chupadelas num cigarro electrónico, para demonstrar as diferenças visuais entre uma escarreta no estado líquido e uma escarreta no estado gasoso.

Enquanto o Futre dava lições de física aos clientes da CMTV, os cientistas que estavam a monitorizar o esforço dos soldados nunca mais foram vistos. Mal morreram os soldados dos comandos o Exército fez questão de dar um ar científico aos seus treinos. Espera-se agora que nos mostrem os sensores que metem na boca dos soldados a quem forçam comer terra ou os que instalam no corto dos que em estado de exaustão forçam a rastejar até às ambulâncias.

Marcelo Rebelo de Sousa foi lembrar à rainha de Inglaterra que é tão velha que quando ela visitou Lisboa pela primeira vez, onde desembarcou naquela praça quadrada (há outras que são redondas), já ela era uma senhora de meia-idade e ele ainda andava de calções. Como a senhora ainda tinha reparado na sua velhice e não vá sofrer de alguma demência, o presidente português ainda lhe lembrou que em tempos teve um iate luxuoso, digno de uma Albion imperial. A pobre senhora deverá ter deixado a audiência cheia de vontade de abdicar.

E por falar na rainha quem teve uma semana horribilis, para não falar de annus, porque por cá tem uma outra conotação e ainda que já não haja rabo que o aguente, foi o pobre do Passos Coelho. Quando já se imaginava a ser levado em ombros para São Bento, depois de um segundo resgate, eis que a economia dá sinal de vida, o OE é aprovado e a Europa elogia Portugal e até o Moedas parece ser militante da Geringonça!

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