quinta-feira, novembro 24, 2016

Estabilidade e confiança

Sentindo-se atingido pelo discurso de Marcelo Rebelo de Sousa o líder do PSD respondeu sugerindo que não se pode confundir estabilidade com confiança, para ser mais preciso o líder da direita disse que  “Não há contradição nenhuma [com o Presidente], não devemos é confundir estabilidade, que é uma coisa instrumental, com a confiança, sem o qual o país não cresce”.

Não é a primeira vez que Passos Coelho tenta passar a ideia de que enquanto político está acima de maiorias parlamentares ou de políticas económicas. Aquele que se apresentou no último congresso do PSD como o arauto da democracia, propunha até “social-democracia sempre”, julga-se o homem em quem os investidores confiam e que garantem estabilidade política independentemente dos deputados que o apoiam, tudo isso porque está à direita.

No mês de agosto a sua bazófia ia ao ponto de declarar "Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?", como se só um governo de direita fosse compatível com investimento privado. É esta a lógica deste grande intelectual da nossa vida política, quando mais à direita for um governante, quanto mais próximo estiver da defesa da escravatura, mais atrai os investidores. Por outras palavras, o melhor amigo dos plantadores de café do Brasil colonial eram os donos dos navios negreiros.

Para Passos o crescimento mais do que de políticas, de um povo ou de um país é o resultado da sua pessoa, logo dele que, como se sabe, é de um grande brilhantismo intelectual. Para ele os investidores preferem os países onde os governantes apostam na escravidão, mas, pior do que isso, a estabilidade política pressupõe que quem governa conta com a paixão dos investidores, principalmente dos que apostam em salários mínimos miseráveis.

Passos ainda está convencido de que estabilidade política seria governar em minoria, fazendo do presidente uma espécie de “corno manso”, desrespeitando a legalidade constitucional e ignorando ou mesmo gozando com os acórdãos do Tribunal Constitucional. Passos confundiu a troika com investidores e está convencido de que o senhor Saraiva da CIP tem tanto poder numa democracia parlamentar como tinha o Subir Lall nos tempos em que ele fazia vénias aos funcionários da troika.

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