terça-feira, novembro 22, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
José Manuel Fernandes

É evidente que algumas palavras do discurso deste ideólogo da direita extrema que apoia e tenta salvar o que resta de Passos Coelho são copiadas do discurso do seu menor, os argumentos não são novos, alguns são herdados precisamente dos tempos em as exportações de combustíveis faziam o sucesso do país. Portanto, os argumentos deste ideólogo não nos trazem nada de novo.

Mas, José Manuel Fernandes, que tinha outra frescura inteletual nos tempos da Voz do Povo, comete um pequeno erro de raciocínio, ao dizer que os resultados económicos não se devem a reformas e estando em causa exportações, está condenando o governo que tanto apoiou. As reformas levam tempo a refletir-se nas exportações e se as exportações atuais tivessem resultado de reformas elas teriam que ter ocorrido com o governo anterior.

Aliás, as exportações de que tanto se gabavam Passos e Portas tinham iniciado o seu ciclo de crescimento antes da direita chegar ao poder. Mas parece que para esta direita extrema e chique os bons resultados para o país são irritantes, eles sabem muito bem que por este caminho o seu projeto está definitivamente morto, o país não precisa de pinochetadas económicas para sair da crise.

«Saíram os números do INE sobre o crescimento económico no 3º trimestre e o país – literalmente – embandeirou em arco. 1,6% de crescimento homólogo. 0,8% de crescimento em cadeia. Espectacular. E – agora sem qualquer ironia – ainda bem.

No entanto podíamos ter ouvido vozes dissonantes. Vozes que dissessem, por exemplo, que os bons resultados do turismo eram fruto do contexto externo. Ou que o grande contributo para o salto no PIB vinha da retomada da produção da refinaria da Galp em Sines. Ou ainda que o sucesso das exportações não traduzia nenhuma reforma estrutural da economia. Ou que um bom trimestre não muda “um quadro geral de estagnação ou de crescimento pontual medíocre”.

Não nos deveria surpreender que alguém tivesse vindo apoucar as estatísticas. Até porque todos os argumentos que alinhei no parágrafo anterior encontrei-os na voz ou na escrita de responsáveis socialistas em Fevereiro de 2014, quando a economia também surpreendeu e teve um crescimento homólogo ainda mais elevado, 1,9%. Foi só “googlar” e ver o que tinham dito na altura alguns dos que hoje são os mais estridentes porta-vozes da euforia. Sendo que desta vez até poderia ter encontrado argumentos novos, como o de que parte da surpresa está na aparente contabilização para o PIB da venda dos F16 à Roménia, algo que só por si explicará um oitavo do crescimento registado.» [Observador]

 Dia de descanso

A política tem destas coisas, para dominarem a comunicação social os políticos do PSD e do CDS desdobram-se em iniciativas durante o fim-de-semana, sabendo que o governo e os partidos da geringonça descansam O resultado é que esta segunda-feira parecia ter sido dia santo e os nossos jornalistas tiveram de se socorrer das notícias vindas do estrangeiro.

      
 Azar, vai acabar o folhetim
   
«O presidente da Caixa Geral de Depósitos vai começar por fazer chegar ao Tribunal Constitucional um parecer jurídico a fundamentar a sua decisão inicial de não cumprir o que diz a lei do controlo público da riqueza dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos e entregar uma declaração de rendimentos e património. Perante a eventual (e quase certa) recusa do TC deste parecer, António Domingues não vai insistir na sua posição, expondo a informação em falta.

A notícia foi avançada pela TSF, depois de o comentador político Luís Marques Mendes ter adiantado na SIC que o presidente da Caixa Geral de Depósitos já tinha decidido ficar no lugar mesmo que o Tribunal Constitucional refute o parecer jurídico que o ex-administrador do BPI enviará. A rádio adianta que a decisão já foi comunicada ao Ministério das Finanças e que Domingues ainda vai argumentar, junto do TC, para tentar manter os dados que prestar em sigilo, uma possibilidade nunca aceite pelos juízes do Palácio Ratton. O Observador tentou confirmar a notícia junto da assessoria de Mário Centeno mas ainda não foi possível obter resposta.» [Observador]
   
Parecer:

Mas é mais do que certo que a seguir a direita retoma o tema dos vencimentos.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Aposte-se.»

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