quinta-feira, dezembro 29, 2016

O melhor e o pior da política portuguesa em 2016

Deputados

+  Há uma nova geração de deputados no parlamento de que pouco se fala, mas que já preenchem uma boa parte da actividade parlamentar. São deputados competentes, tecnicamente bem preparados, que estuda bem os dossiers. O destaque vai para o deputado João Galamba, do PS, aquele que atingiu um patamar mais levado dentro do seu partido e um dos deputados do parlamento que melhor se prepara para as suas intervenções quase diárias.

-  Do passado herda-se a imagem do deputado que fala muito, que é agressivo e que muitas vezes berra. Um exemplo desta abordagem queirosiana do debate parlamentar é proporcionada pelo truculento deputado Carlos Abreu Amorim, um homem que tem vindo a evidencia uma grande vocação de navegador pois desde que apareceu na política que faz a circum-navegação da direita, começou no PND e foi uma personagem de destaque deste PSD quase de extrema-direita, liderado por Passos Coelho. Digamos que é um dos deputados mais viajados do parlamento.

Presidência

+  Marcelo parece o coelhinho da Duracell e chega ao fim de 2017 com as pilhas carregadas e com  paciência para ir almoçar com  um Passos Coelho destroçado.

-  Alguém se lembra de um tal Cavaco Silva?

Ministros

+  Centeno provou que era possível ser um ministro das Finanças competente sem que a competência decorresse das suas aptidões para a canalhice. O meu patrício Mário Centeno acabou com a imagem salazarista do ministro das Finanças que para reduzirem os défices eram modelos de sacanice em matéria de distribuição de rendimentos.
-  Augusto Santos Silva poderia ter sido um dos melhores ministros escolheu os últimos dias de Dezembro para borrar a opa. Como é possível que um político com a experiência do ministro dos Negócios Estrangeiros e número dois do governo, não saiba como se deve comportar em público, pondo em causa a imagem de todo o governo e o sucesso de uma negociação na concertação social? Santos Silva não se deve recordar dos corninhos exibidos pelo seu colega Manuel Pinho, quando este era ministro da Economia. Depois de ter conseguido o melhor, ajudando Guterres a chegar a secretário-geral da ONU, faz esquecer o seu sucesso com uma conversa disparatada.

Primeiro-ministro / Líder da oposição

+  António costa destruiu os mitos da austeridade de Passos Coelho, é possível reduzir o défice sem penalizar grupos sociais ou profissionais, chegando ao fim do ano sem surpresas ou orçamentos rectificativos. Pelo caminho tapou muitos buracos e alçapões deixados pela dupla formada por Passos e Maria Luís. Aos poucos o país regressou à normalidade, com o povo a viver sem a chantagem permanente de um primeiro-ministro extremista, que tinha um especial prazer sádico em impor sacrifícios aos portugueses, em especial aos mais pobres ou aos que odiava, como os funcionários e os reformados.
-  Passos Coelho pensava que nas contas das maiorias parlamentares o CDS contava, mas os deputados do BE e do PCP só contavam para derrubar governos do PS. Enganou, teve de sair do governo empurrado e ainda hoje não sabe o que lhe sucedeu. Não soube sair da liderança do PSD e agora ninguém sabe como o tirar, ainda que todos saibam que está a mais.

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