segunda-feira, dezembro 26, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, líder do CDS

Quer o CDS, quer o PSD apostam tanto quanto podem no vazio noticioso dos fins de semana e dias feriados, aproveitando a ausência do governo na comunicação social. Mas convenhamos que ler no Expresso em pleno dia de Natal uma notícia sobre a candidatura de Cristas é um exagero.

Enfim, não faria mal se Crista tivesse aulas sobre abstinência noticiosa em dias santos....

 Um cardeal distraído

Quando muitos portugueses perderam o emprego ou viram os seus rendimentos reduzidos a título de teste de política económica, ficando abaixo do nível necessário para cumprir com os compromissos decorrentes do crédito à habitação, o nosso cardeal não apareceu. Aliás, as vezes que o cardeal se assomou na política foi para apoiar as políticas governamentais ou para dar uma ajudinha ao PAF na hora da tentativa de formação de um governo contrário à vontade do parlamento.

Agora o cardeal anda muito preocupado com quem não tem casa ou a tem em condições muito precárias. Enfim, é sempre bom que o cardeal tenha preocupações sociais, ainda que as tenha ignorado quando os pobres mais precisaram da sua palavra. O cardeal é como o comboio espanhol, chegou pontualmente com alguns anos de atraso.

      
 Outro a queixar-se do Super Mário
   
«As contas bancárias de Antero Luís foram passadas a pente fino pela investigação dos vistos gold, avança a imprensa desta manhã. O ex-diretor do Serviço de Informações de Segurança (SIS) queixou-se de que terá sido vigiado e alvo de escutas pontuais depois de magistrados terem ordenado a quebra do sigilo bancário e de terem averiguado o património que detem. O atual juiz-desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa apresentou queixa contra os magistrados do processo, ou seja, a participação tem como alvo o juiz Carlos Alexandre. » [Correio da Manhã]
   
Parecer:

parece que não são só os "bandidos" que t~em razões de queixa do Super Mário de Mação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Crista não descansa
   
«Pedro Passos Coelho deu luz verde para que o PSD negoceie com o CDS uma coligação em Lisboa, com Assunção Cristas como candidata à Câmara Municipal, mas os centristas começam a ter sérias dúvidas de que os sociais-democratas estejam mesmo interessados nesse acordo. No verão, quando Cristas decidiu avançar para a Câmara, falou diretamente com Passos Coelho sobre a hipótese de um acordo, mas nessa altura o líder do PSD punha as fichas todas em Pedro Santana Lopes. Antes de anunciar a candidatura, Cristas voltou a falar com Passos. Já o líder do PSD não teve a mesma atitude em relação à ex-ministra da Agricultura — nem quando Santana comunicou que estava fora da corrida nem em momento nenhum desde esse anúncio.

“Entre dois líderes que já estiveram no mesmo Governo e não fazem cerimónia, quem quer fazer um acordo pega no telefone e resolve as coisas”, diz um alto dirigente do CDS, acrescentando que, “se Passos quisesse, Lisboa já estava resolvida”. Talvez não queira, conclui a mesma fonte. O que não incomoda a direção centrista: outro responsável do partido assegura que foram dadas instruções precisas “para deixar o PSD decidir o que quer fazer, sem sentir qualquer constrangimento da nossa parte”. “É uma questão do PSD, não é do CDS”, avança uma terceira fonte ouvida pelo Expresso, garantindo que, se e quando o PSD quiser conversar, os centristas estão disponíveis. Mas “terão de ser sempre eles a tomar a iniciativa”.» [Expresso]
   
Parecer:

Até no doa de Natal o CDS pressiona o PSD a apoiar a candidatura da sua líder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a cristas que respeite os seus dias santos.»

 O estado marginal
   
«Israel vai deixar de contribuir para o orçamento das Nações Unidas, em retaliação contra a adopção pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução que exige o fim da construção de colonatos em Israel. Isso foi possível porque, pela primeira vez, os Estados Unidos abstiveram-se, permitindo que o documento passasse, numa atitude que o primeiro-ministro israelita considera “vergonhosa”.

“Dei instruções ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para completar, no prazo de um mês, uma reavaliação de todos os nossos contactos com as Nações Unidas, incluindo o financiamento das instituições da ONU e a presença de representantes da ONU em Israel”, afirmou Netanyahu, num discurso transmitido em directo. “Já dei ordens para travar a transferência de 30 milhões de shekels (7,5 milhões de euros) de financiamento para cinco agências da ONU que são especialmente hostis a Israel… E esperem por mais”, declarou, sem especificar quais as entidades em causa, diz a Reuters.» [Público]
   
Parecer:

Israel não obedece a regras internacionais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»

 Contas mal feitas
   
«O Estado pagou um juro excessivo na emissão de dívida sobre a qual deu garantia na resolução do Banif e sua venda ao Santander, em dezembro do ano passado. É uma informação que consta do parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2015 divulgado esta semana pelo Tribunal de Contas que revela que as obrigações emitidas no valor de €746 milhões a favor do banco espanhol — que integrou os ativos e passivos do Banif — tiveram uma taxa de cupão um ponto percentual acima do custo de financiamento da República. Esta diferença corresponde a um custo anual em juros na ordem dos €7,46 milhões que, no conjunto dos 10 anos de maturidade dos títulos, representa um total de €74,6 milhões.

O parecer refere que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) ainda alertou para a taxa de juro excessiva para “o tipo de operação em causa”, mas não foi possível revê-la porque a operação já tinha sido concretizada. No parecer lê-se que “a taxa de cupão corresponde à Euribor a três meses acrescida de uma margem de 2,679%. No parecer que emitiu sobre as condições financeiras da operação, o IGCP considerou a taxa de juro elevada para o tipo de operação em causa, sendo superior em cerca de 1% ao custo de financiamento da República, mas a DGTF [direção-geral do Tesouro e Finanças] fez notar que a emissão não seria suscetível de comportar uma revisão de taxa de juro, por já se encontrar concretizada”.» [Expresso]
   
Parecer:

Não faz mal, o pagode paga.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Apurem-se responsabilidades, porque alguém não sabe fazer contas.»


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