sábado, junho 22, 2013

Jumento do Dia

  
Nuno Crato

Fica muito bem a um ministro com a pasta da universidade e da investigação dizer umas balelas sobre o emprego dos doutorados, bla, bla, bla. É um discurso tão fácil quanto evidente, o problema é que o ministro Crato não só não tem competências que lhe permitam falar sobre o futuro dos jovens doutorados, como tem andado mais emprenhado e reduzir o ensino público a ensino de segunda do que a pensar no futuro de uma geração cujo futuro não o parece incomodar.
 
Ainda por cima o ministro pertence a um governo que desvaloriza o investimento em quadros qualificados e que começou por lhes sugerir que abandonem o país, até se chegou a falar da criação de uma agência pública para promover a emigração dos jovens. Um ministro que nas reuniões do Conselho de Ministros aprova a política que aposta num país de gente sem qualificações bem pode fazer discursos muito bonitinhos que ninguém acredita, a começar pelos professores do ensino universitários que estão mais convencidos da intenção ministerial de os despedir do que em qualquer aposta na qualificação.

«"Muitas empresas em Portugal, para se desenvolverem, precisavam de recrutar doutorados e nós temos jovens doutorados de elevadíssima qualidade", afirmou o ministro, na abertura do Luso2013, 7.º Encontro Anual de Estudantes e Investigadores e Portugueses no Reino Unido.

Segundo o governante, o investimento público nos últimos anos criou no país um "nível muito razoável" em termos quantitativos, mas continua a refletir "uma deficiência", dado o número de doutorados empregados pelas empresas ser ainda pequeno, cerca de 3%, contra 40% na Dinamarca.» [Notícias ao Minuto]
 
«Investigadores e professores universitários concentram-se hoje, em frente do Ministério da Educação e Ciência, em Lisboa, em protesto contra "a instável" situação laboral.

O protesto, marcado para as 16:00, na Avenida 5 de Outubro, é organizado pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior e pela Federação Nacional de Professores (Fenprof).

Os professores do ensino superior público temem o despedimento com a aplicação do regime de requalificação (mobilidade especial) para a função pública.» [DN]
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