sábado, junho 22, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Sé, Lisboa
   

 Mais tempo

O governo que ainda há bem pouco tempo não queria nem mais tempo, nem mais dinheiro e até criticava a oposição por o defender vai agora dizer que a decisão dos credores de Bruxelas ée mais um dos seus grandes feitos. Mas não é, mais tempo significa duas coisas, que o governo falhou as metas e que vamos ter austeridade durante mais tempo. Isto é, serão os portugueses a pagar durante mais tempo a incompetência do governo e, em particular, do seu ministro das Finanças, o tal que manda em Portugal porque o ministro das Finanças alemão simpatiza com ele e desta forma ofende os mais elementares princípios de soberania nacional.

 O Maduro tem alguma graça
 
O ministro Maduro, por sinal o mais verde deste governo e bem menos maduro do que o Miguel Relvas que substituiu até tem alguma graça, quem o ouve não percebe bem se é um ministro português ou alemão pois fala como se fosse ouvido na Europa e a sua principal pasta fosse a reforma da União Europeia. Metade das suas intervenções destinam-se a intoxicar a opinião pública, a outra metade é para se envaidecer enquanto académico dissertando sobre grandes temas europeus e mundiais, como se houvesse mais Europa para além da crise portuguesa e o país fosse demasiado pequeno para a sua grandeza intelectual.
 
 O Diálogo político entre Passos e Cavaco
 
Passos: Assina isso!
Cavaco: Onde, aqui?
Passos: Até à próxima Quinta.
Cavaco: Se Deus quiser.


  
 A grande migração
   
«Segundo os dados que o INE divulgou esta semana, emigraram de Portugal, só no ano de 2012, mais de 120 mil pessoas: 69 mil ainda com a intenção de regressar em menos de um ano e 52 mil já de forma definitiva ou permanente.

Também em 2012, o número de nascimentos caiu para 89 mil - o valor mais baixo desde que há registos. Ninguém duvide: o "ajustamento" de que o Governo tanto se orgulha é uma tragédia que vai deixar marcas por muitos anos.

O Governo, reconheça-se, não se poupa a esforços para encorajar este êxodo colossal: aplicou o dobro da austeridade prevista no Memorando inicial da ‘troika'; abandonou qualquer visão estratégica sobre a modernização e o futuro do País; mandou parar todas as iniciativas públicas geradoras de emprego; desinvestiu na ciência, na educação e na formação profissional; falhou por muito todas as metas do Programa "Impulso Jovem" e agora, apesar de confrontado com o agravamento da recessão e do desemprego, insiste no adiamento absurdo do pagamento dos subsídios de férias e prepara um novo pacote de violentos cortes nos serviços públicos e nas prestações sociais. Entretanto, para o caso de alguém não ter percebido, houve mesmo um membro do Governo que teve o bom gosto de apontar aos jovens a porta da saída.

Os resultados estão à vista. A população residente em Portugal, que atingiu o valor máximo em 2009 e se manteve sensivelmente estável em 2010, caiu para 10 487 289 pessoas em 2012: uma redução de 85 mil em apenas dois anos. E a redução só não é maior porque ainda se registou alguma entrada de imigrantes permanentes, embora essas entradas também tenham caído em 2012 para apenas 14 mil (em boa parte ao abrigo do regime de reagrupamento familiar). Assim, a imigração não chegou para compensar o forte fluxo de emigrantes registado no último ano, pelo que o saldo migratório foi negativo em mais de 37 mil pessoas.
Negativo foi também o saldo natural (em mais de 17700 pessoas): o número de óbitos aumentou e o número de nascimentos foi o mais baixo de sempre (também penalizado pela redução dos fluxos imigratórios, cujo contributo é relevante para o número total de nascimentos). Os factos não enganam: os mais fervorosos adeptos das políticas de apoio à família têm em curso a mais violenta política pública contra a natalidade de que há memória no Portugal democrático.

O que todos estes números dizem é que muitos portugueses - sobretudo jovens, bastantes deles com elevadas qualificações - estão a fugir do desemprego e do destino de empobrecimento que lhes foi traçado, à procura de um futuro que, para eles, não mora aqui. O motivo primeiro desta grande migração, como é óbvio, reside na assustadora taxa de desemprego - que o próprio ministro Vítor Gaspar estima em 19% no final deste ano e que ultrapassa já os 42% entre os jovens. Mas esta é também a resposta natural a uma desoladora estratégia de empobrecimento que arrasa oportunidades, semeia insegurança e produz frustração. 
Nem de propósito, dois dias depois de serem revelados os dados do INE sobre a evolução da população residente em Portugal, o Eurostat divulgou os valores de 2012 sobre o Produto Interno Bruto per capita na União Europeia, expresso em paridades de poder de compra. E uma coisa tem tudo que ver com a outra. Os dados são estes: entre 2004 e 2010 (durante aquela década que alguns diziam perdida...) o PIB per capita português recuperou consideravelmente e subiu de 77 para 80,3%, convergindo com a média europeia; em 2011 e 2012, pelo contrário, com a austeridade "além da ‘troika'" deste Governo PSD/CDS, o PIB per capita caiu abruptamente para 75%, divergindo da média europeia e recuando para valores ainda piores do que aqueles que o primeiro Governo Sócrates encontrou.

É deste empobrecimento garantido que fogem os milhares de jovens e de outros portugueses que dão corpo a esta grande migração. E, francamente, é preciso ter azar: um Governo que falha em tudo, logo havia de ser no empobrecimento que havia de acertar.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.

 Graças a Deus o CDS existe
   
«A lição a tirar da prédica de Paulo Portas na apresentação das linhas gerais da moção que apresentará ao Congresso do CDS--PP é muito simples: o ministro dos Negócios Estrangeiros é, no sentido quase bíblico do termo, o nosso salvador. Sim, porque se ele não existisse, tudo o que hoje é mau em Portugal seria, simplesmente, horroroso.

Portas tem sido, diz ele, o freio das malfeitorias que Vítor Gaspar e Passos Coelho têm em mente para colocar o país - e os portugueses - nos carris. Portas, diz ele, tem sido a lufada de ar fresco que entra no Conselho de Ministros sempre que o ambiente fica perto do tóxico. Portas tem sido, enfim, a porta por onde se entrevê um futuro um pouquinho mais risonho. Graças a Deus, o CDS existe. Graças a Deus, o CDS existe porque Portas existe.

É fácil imaginar o julgamento que os dois superiores hierárquicos de Portas no Governo (Passos e Gaspar) terão feito sobre esta elucidativa demonstração de distanciamento político: eles são os polícias maus; Portas é o polícia bom. Não admira que, de vez em quando, andem todos à "cacetada".

De entre todas as propostas e proclamações políticas apontadas por Portas, apreciei particularmente o tempo que gastou com os fundos comunitários: 10 segundos! Trata--se, apenas, de um dos mais decisivos instrumentos ao dispor do Governo para reanimar a economia e reindustrializar o país, para usar o jargão em voga.

Sobre os fundos comunitários, Portas não disse se defende, ou não, a existência de programas regionais; se é a favor, ou não, da centralização das verbas do QREN; se aplaude, ou não, o esbulho de verbas que, ao abrigo do famigerado efeito de dispersão, são retiradas das regiões mais pobres e encaminhadas para as mais ricas; se concorda, ou não, com o esvaziamento de poderes das comissões de coordenação e desenvolvimento regional; se, enfim, Portas vê, ou não, os fundos comunitários como um potente meio para atingir um importante fim: a redução de assimetrias regionais e, por consequência direta, a reconstrução de um país mais equilibrado.

Tomo o caso do Norte para sustentar o ponto: a região tem funcionado como uma espécie de "região-colónia" que assiste placidamente à sangria dos recursos que lhe cabem de pleno direito. As consciências do Norte ergueram-se - e muito bem - para resolver o problema da Sociedade de Reabilitação Urbana, que valia 2,4 milhões de euros. Estarão disponíveis para ir agora à luta pelo reforço substancial da descentralização regional da gestão dos muitos milhares de milhões de euros de fundos estruturais? Ou acham que é melhor continuar a ser Lisboa a tratar do assunto? Como dizia o presidente do Conselho Regional do Norte numa carta aberta escrita na edição de 15 de junho do JN, "é tempo de dizer basta. Em nome do Norte. Mas, sobretudo, de Portugal".» [JN]
   
Autor:
 
Paulo Ferreira.
   
     
 A anedota
   
«O presidente da Câmara de Sintra e membro do PSD, Fernando Seara, apareceu de surpresa no final das jornadas parlamentares do PS, que decorrem na vila no Centro Cultural Olga Cadaval, para cumprimentar António José Seguro.

"O líder do PS pediu-me um equipamento municipal e eu fiz questão de vir recebê-lo", sublinhou Seara, escusando-se a qualquer outro comentário sobre o impedimento ditado pelos tribunais à sua candidatura a Lisboa.

O líder do PS tinha acabado de se escusar a comentar as palavras de Passos Coelho, que ontem admitiu mudar a lei de limitação de mandatos, na sequência, exactamente, da decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de impedir a candidatura de Fernando Seara a Lisboa. O primeiro-ministro diz que Seara deve recorrer ao Tribunal Constitucional, mas admite desde já que "[se] houver uma questão na lei, então faz todo o sentido que os partidos alterem a lei, porque quer o PS, quer o PSD, que a votaram, acham que a lei não tem esta interpretação [evitar que um autarca que atingiu o limite de mandatos possa concorrer a outra autarquia]", disse o primeiro-ministro esta quinta-feira, em Viena.» [DE]
   
Parecer:
 
Este Seara não tem vergonha...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Havia pressão ou não havia pressão?
   
«O ex-secretário de Estado adjunto da Administração Interna, Juvenal Peneda, em entrevista ao Diário de Notícias, diz que "houve pressão da banca para que a minha empresa [Sociedade de Transportes Colectivos do Porto] fizesse contratos de swap". 

Segundo o ex-presidente da STCP (Metro do Porto), que foi demitido do Governo, por ter aprovado ‘swaps' de alto risco quando estava na empresa de transportes públicos, "a pressão era muito simples. Havia uma renovação de um empréstimo vultuoso, creio que de 50 milhões de euros, e davam excelentes condições para a renovação desde que fizéssemos os contratos de ‘swap'".» [DE]

«"O banco repudia que alguma vez tenha feito pressões ilícitas", diz o Santander Totta quando confrontado com as declarações de Juvenal Penada numa entrevista ao Diário de Notícias de hoje.

O Ex-secretário de Estado adjunto da administração interna, diz que "houve pressão da banca para que a minha empresa [Sociedade de Transportes Colectivos do Porto] fizesse contratos de swap". Segundo o ex-presidente da STCP (Metro do Porto), que foi demitido do Governo, por ter aprovado swaps de alto risco quando estava na empresa de transportes públicos, "a pressão era muito simples. Havia uma renovação de um empréstimo vultuoso, creio que de 50 milhões de euros, e davam excelentes condições para a renovação desde que fizéssemos os contratos de swap".» [DE]
   
Parecer:
 
Coitadinho do gestor que foi violado e coitadinho do banqueiro que é um santinho e não faz pressões sobre ninguém.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se os dois senhores à bardamerda.»
   
 Uau! Empobrecemos ligeiramente mais de vagar!
   
«A actividade económica e o consumo privado continuam a evoluir de forma negativa, embora agora de forma menos intensa, sinalizando que a economia portuguesa está a recuperar no segundo trimestre do ano, face à recessão que já se prolonga há nove trimestres.

O indicador do Banco de Portugal para medir a actividade económica recuou 1,9% em Maio deste ano, o que representa a queda menos intensa desde Julho de 2011. Nos três meses anteriores este indicador recuou sempre 2%, depois de ter descido 2,1% em Janeiro.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
O governador do BdP deve estar a dar saltos de alegria.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao bancário Costa.»
   
 Mais uma do académico
   
«O ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, considerou hoje que "um dos grandes problemas em Portugal é que tudo é contestado".

"Contra factos há sempre argumentos", disse o ministro, que falava no Grémio Literário, em Lisboa, no encerramento do ciclo de jantares promovidos pelo Clube de Imprensa, Centro Nacional de Cultura e Grémio Literário, subordinados ao tema "Portugal - o presente tem futuro?". "Sobretudo porque não conseguimos colocar-nos de acordo quanto aos processos credíveis de apuramento dos factos que devem servir de base às nossas decisões públicas", observou.

"Penso que é claro hoje para todos que não interiorizámos as consequências das escolhas que realizámos e conseguimos concretizar: aderir ao euro e estar na primeira linha da construção europeia", disse.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Se não fosse o brilhantismo deste grande académico o que seria deste pobre país?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o rapazola a bugiar.»
   
 D. Januário compara o discurso do governo com o de Salazar
   
«No final da missa oficial da XXXII Peregrinação da Diocese das Forças Armadas e Segurança na qual participaram os ministros da Defesa e da Administração Interna, Aguiar Branco e Miguel Macedo, respetivamente, Januário Torgal Ferreira defendeu que é sempre bom relembrar os ministros sobre o patriotismo.

O bispo das Forças Armadas explicou que durante a homilia procurou frisar que “quando as pessoas desempenham funções importantes para a pátria é importante meditar sobre os valores dessas funções”.

Palavras que disse ter dirigido “aos militares e, com toda a liberdade e todo o respeito, às autoridades civis”.

“Vejo que pessoas que hoje ocupam cargos no Governo são incapazes de dizer ‘pobre’. (…) Temos dois milhões de pobres. Mas, sobretudo pedir, agradecer a resignação a quem sofreu tanto? Eu acho um insulto, Isso era o que Salazar pedia (…) e eu não aceito a resignação em nome da minha cultura cristã e humana”, sublinhou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Para bom entendedor meia palavra basta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Belém.»
   
 Viajar à conta
   
«O ex-adjunto do antigo secretário-geral do CDS-PP e actual administrador da CinePicture Portugal Studios SA, Luís Varela Marreiros, está entre os cinco detidos em Portimão por suspeitas de corrupção, administração danosa, branqueamento de capitais e participação económica em negócio. Mais recentemente, em Março deste ano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, levou o antigo parceiro Marreiros na visita oficial que fez à Índia.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
O que enoja nesta notícia não é a investigação em curso porque quanto a investigações em Portugal já estamos vacinados, o que mais incomoda é saber que alguém foi viajar à Índia à nossa conta só porque é do CDS e o Portas tem uma qualquer simpatia pelo senhor. Agora Paulo Portas vai despedir funcionários públicos porque, defende ele, não há dinheiro para tanto Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 E o gajo até se estava lixando para eleições
   
«No que diz respeito às relações com a imprensa, o executivo pretende estabelecer uma rotina de ‘briefings’ diários com os jornalistas, a ter lugar na Presidência do Conselho de Ministros.

Nestes encontros, explicou fonte governamental, a assessoria do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, funcionaria como uma plataforma para todo o Governo e os encontros - que poderão funcionar em 'on' ou 'off the record' - teriam por objetivo responder a dúvidas dos jornalistas sobre temas da atualidade ou questões setoriais.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Mais um fracasso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se não faria mais sentido demitir-se.»
   

   
   
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