quinta-feira, novembro 12, 2015

A imbecilidade que por aí vai...

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Atestado que garante que Cavaco Silva é um bom cidadão
  
Há dois domínios em que nestes dias temos assistido a muita imbecilidade, um é o das exigências para que o PS possa formar governo, o outro é o do comportamento dos mercados financeiros.

A direita deve estar esquecida de que não é a ela e muito menos à ala liberal do antigo regime que Portugal deve a democracia, nem mesmo Cavaco pode ser considerado um referencial de valores democráticos apesar dos dois mandatos presidenciais e dos três governos que liderou, comportamentos como o das famosas escutas a Belém até sugerem que o senhor nem sequer teria grandes condições para exercer os cargos que tem exercido.
 
Cavaco lembrou-se de fazer à esquerda exigências que não fez à direita e agora anda muito boa gente a passar os acordos à esquerda a pente fino para verificar se respeitam as exigências abusivamente estabelecidas pro Cavaco Silva. Isto é, aqueles que nunca se deram ao trabalho de ver se as políticas da direita respeitavam a Constituição atribuem agora aos discursos de Cavaco o estatuto de Constituição.
 
Parece que a esquerda é um bando de irresponsáveis e por isso não basta a vontade dos partidos, nem sequer uma maioria parlamentar. Passos não estava em condições de formar governo mas foi tiro e queda, foi empossado só para que o seu ministro da Administração Interna nos fizesse uma homilia dedicada às fúrias demoníacas. Mas para o PS formar o governo quase que é preciso que António Costa apresente um atestado médico a garantir que nos próximos quatro anos não adoecerá nem perderá as suas faculdades mentais.
 
EM relação aos mercados financeiros os nossos parolos associam a direita de que os investidores gostam mais da direita, uma associação que só revela que a nossa direita é tão idiota como o era até ao 25 de Abril. A ideia é simples, como a direita adopta medidas em favor do capital e em prejuízo do dos trabalhadores os investidores internacionais preferem governos de direita. Provavelmente é verdade, da mesma forma que é verdade que também gostam de governos competentes, que não adoptam políticas que desencadeiam instabilidade social e com lideres políticos que evitam levar os países por caminhos perigosos.
 
Quando a direita ganhou as eleições em 2011 o iletrado Miguel relvas, o homem que moldou Passos Coelho, assegurou que mal o governo tomasse posse as agências de rating tirariam Portugal do nível do lixo. Teve tanta sorte quanto o José Manuel Fernandes que deve ter tirado um curso de analista de mercados financeiros nos tempos em que era redactor da Voz do Povo e agora usa o Observador para “rezar” que haja um desastre na bolsa de Lisboa e uma subida brutal nos jurios da dívida portuguesa.
 
Cavaco e os outros velhos, os do Restelo, estão a actuar com base em preconceitos, estão convencidos de que a direita tem o exclusivo da responsabilidade e da competência  e confundem os investidores internacionais com os compadres da CAP. Para nomear gente incompetente como a doidinha da Paula Teixeira da Cruz, o  padreca do Calvão, para não referir outras personagens deste e de outros governos da direita não é preciso qualquer atestado porque são gente boa de que os mercados gostam. Mas para que António Costa seja empossado é preciso mais atestados e cursos de cristandade do que para casar pela Igreja.


Andam, andam, e ainda vão exigir a António Costa que preencha um impresso a garantir que defende o regime e que nem se dá com a sogra por se tratar de uma senhora pecaminosa que se divorciou contra as regras invioláveis da Santa Madre Igreja. Até parece que é a Cavaco que se deve a presença de Portugal na UE, a assinatura dos seus tratados ou o que quer que seja que lhe permita exigir documentos comprovativos de bom comportamento para que um líder com maioria parlamentar seja empossado como primeiro-ministro. Tudo isto começa a ser ridículo demais para poder ser verdade.
  

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