domingo, novembro 29, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Marcelo Rebelo de Sousa, cata-vento presidencial

As últimas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, feitas em Paris, estão para além do que se espera de um mero candidato presidencial, aliás, a própria visita a Paris só faltou ter uma guarda de honra contratada a um teatro para parecer uma visita oficial.

Quem é Marcelo para condicionar quem quer que seja de um governo, quando ainda é um mero ex-comentador televisivo e provável candidato presidencial com o apoio dos partidos que perderam as eleições a depois de terem deixado o Estado cheio de minas ainda não perceberam as regras da democracia?

«"Nós não podemos esperar meses e meses e meses para ter o orçamento para 2016. Espero que o Orçamento do Estado esteja aprovado e tenha entrado em vigor no momento da posse do novo Presidente que é no dia 09 de março. O país deve contar com um orçamento antes de março de 2016 e mesmo assim estamos a falar de três meses praticamente sem orçamento", declarou o candidato presidencial.

Questionado sobre se Cavaco Silva deve usar o poder de vetar leis no final deste mandato, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter "a certeza que neste espaço de tempo que resta até ao fim do mandato do senhor Presidente da República não haverá nenhuma medida que seja necessária, para bem de Portugal para a saída da crise, que levante problemas no relacionamento entre o Governo, o parlamento e o Presidente".» [RTP]
  
 Esta Turquia é um nojo
  
Quando Cavaco estava preocupado com a NATO isso teria alguma coisa a ver com o facto de um dos seus membros ser um apoiante do Estado Islâmico, estando a pilhar o petróleo do Iraque e da Síria comprando-o a preço de saldo aos terroristas?

 Uma pergunta à força de obstipação

Já foi ao site da AT saber quanto vai receber de reembolso da sobretaxa ou prefere acreditar nas previsões dignas da Santinha da Ladeira feitas pelo seu gabinete?

 Não há como o ajudar a acabar o mandato com dignidade

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 E agora João?

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Ainda o novo ministro da Economia mal sabe o caminho para o gabinete e já Joâo Duque se aproveita de duas empresas que se vão deslocalizar para provocar o novo ministro com um artigo que tem por título "E agora Manuel?".

O artigo ficava bem a um Marco António , político que faz da arte da manipulação da realidade profissão. Mas Jão Duque é economista e não pode esquecer as suas responsabilidades, até porque ao longo de quatro anos chamou a si o papel de defensor oficioso das políticas do governo, pelo menos enquanto parecia que tudo ia correr bem já que depois andou um pouco desaparecido.

João Duque parece esquecer o seu amado primeiro-ministro que prometia que Portugal ia ser o país mais competitivo do mundo, apoiou as políticas mais brutais prometendo produtividade. Ora, tanto quanto se sabe as decisões das empresas de abandonar o país nada tem que ver com io novo ministro da Economia, quem não as convenceu das vantagens de Portugal foi o governo em funções qundo tomaram essa decisão.

Parece que essas empresas não acreditaram no país imaginado por Passos Coelho, Paulo Portas, João Duque e outros. O título do artigo devia ser mais honesto e perguntar "E agora João Duque?" pois este economista tem mais responsabilidades nas decisões daquelas empresas do que o novo ministro.

 Rússia instala o seu mais poderoso sistema de mísseis na Síria



A instalação dos mísseis S-400 levaram à suspensão dos bombardeamentos por parte dos EUA [RT].

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E reforça meios anti-aéreos deslocando  o navio lança mísseis Moskva para a costa de Latakia, pertto da fronteira com a Turquia.



      
 A minha amiga é negra
   
«A minha amiga é negra. Ainda há pouco eu não me lembraria de o dizer. Nesta semana, ela obrigou-me. Claro, não foi do género "olha, escreve lá no teu jornal que sou negra". Foi assim, ela estava a fazer uma coisa solene e ficou de cara levantada - dizia uma jura pública - olhando-nos, olhos nos olhos, a mim e a vocês também. Eu disse-me: está bem, Francisca, eu digo.

Ao João, seu irmão, ele morreu há dois anos, eu até já chamei "preto". Ele, o mais cosmopolita dos meus amigos, apareceu-me com uns sapatos a que os americanos chamam spectators. E chamam bem, porque, de couro negro ou castanho e pala branca, os spectators atraem a atenção e só ficam bem a quem os ousa usar. Invejo-os, porque me sei disléxico de alfaiataria. Foi o que talvez me tenha levado a dizer ao João: "Pareces um preto de Nova Orleães..." Ele gostou, olhou para os sapatos e pôs-me a mão no ombro: "São bonitos, não são?" Acho que se permitiu a superioridade, a mão no ombro, porque se aproveitou da minha nítida desvantagem no vestir. Geralmente os irmãos Van Dunem tratam-me com menos sobranceria. Nem tanto por mim, suspeito, mas porque eu fui "o amigo do Zé", o mais velho dos irmãos.

Eu e o José, jovens, íamos levar doces aos presos nacionalistas, 1968, 1969... Os guardas faziam diferença entre o branco e o preto, desprezavam este e insultavam aquele. Nós regressávamos ao nosso bairro com aquela noção de irmanados que os amigos só criam na infância ou na adolescência. O ter de ser cumprido, a nossa areia vermelha aos pés, o futuro ali à mão, e nem orgulhosos íamos, só juntos. Mas não era bem assim. O nosso risco era igual - e estávamos de peito feito - mas o risco dos nossos não era igual. Em casa dele tinha ficado a dona Antónia, a mãe do Zé, ela é que fazia os bolos e nos mandava entregar. Ela sabia o risco do seu menino e do amigo. Eu partiria para o exílio pouco depois e o Zé seria preso no campo de São Nicolau. Ela não sabia ainda é que a espiral acabaria trágica, que o filho seria assassinado, já pés firmes sobre a praia sonhada, em 1977.

A dona Antónia vive em Lisboa, tem 93 anos. Ah, com ela eu nunca me permitiria a palavra "negra", nem agora, quando a palavra foi conquistada pela Francisca. Não que a ofendesse, claro. Ela era, assumia e praticava aquilo que era na nossa cidade - negra, o que não era mera circunstância, era condição. Mas para mim a dona Antónia é a senhora, ponto. Às vezes, agora, em Lisboa, quando ia recordar com o João ou falar com a Francisca, eu puxava pelo antigamente dela. Eu deixava ir a conversa, como a dona Antónia a faz, com silêncios, olhos tristes e boca amarga, mas estava sempre a vê-la a entregar-nos o embrulho dos bolos para levarmos à prisão.

O pai da família foi sempre sóbrio comigo. Mateus van Dunem passava na rua com o irmão, ambos silenciosos, ambos elegantes, vestidos à funcionário, com gravata, o que era raro no bairro. Eles eram filhos duma derrota - negros luandenses dos anos 1940, 50 e 60. Eu explico o que lhes aconteceu: a República. A República burra, como tantas vezes acontece às coisas boas em Portugal. O alto-comissário Norton de Matos decidiu um erro: substituir a elite angolana, os filhos da terra, os nativistas, os angolenses, por gente ida de Portugal. Não percebeu que o que havia para perpetuar de Portugal em Angola era a gente com quem Portugal se tinha cruzado.

Nas décadas de 1910 e 20, Manuel Pereira dos Santos van Dunem, o pai dos dois irmãos que eu veria juntos tantos anos depois, o avô de Francisca, foi perseguido, preso e desapossado dos bens. Aconteceu o mesmo a outros dirigentes das associações, como a Liga Angolana, encerrada. O jornal dele, O Angolense, foi fechado, tal como a sua tipografia Mamã Tita. Aos filhos de toda essa geração esperariam quase só lugares subalternos de funcionários. Abandonavam as casas tradicionais da Cidade Alta e Ingombotas e foram, afastando-se para os bairros periféricos, como o nosso bairro, o meu e do Zé, São Paulo.

A minha amiga chegou jovem a Portugal, a sua universidade foi a de Lisboa, casou com um açoriano, pariu um português, trabalhou em Portugal, tornou-se portuguesa e continuou negra. Nos anos 1930, a geração do avô de Francisca pagou para que se erigisse um monumento, em Luanda, a Luís Lopes de Sequeira, o crioulo. No século XVII, esse mulato derrotou os reinos de então, numa Angola que não existia. Lopes de Sequeira, cabo-de-guerra, servia Portugal e acabou por fazer Angola, porque sem ele provavelmente ela não o seria. A história capricha nos seus caminhos e da importância destes dirá o que vier.

Ah, agora compreendo... O olhar de Francisca não queria que eu dissesse que ela era negra, mas que contasse tudo isto.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Acabou!!!! Acabou. Acabou?
   
«Acabou!!!!

Experimentem dizer “acabou” junto de uma das inumeráveis vítimas destes anos de “ajustamento” e vão ver como é a resposta. Eu já experimentei várias formas e têm todas um ponto de exclamação no fim ou outro qualquer expletivo. Ou é um suspiro fundo de quem atravessou um trajecto complicado e, chegado a outro lado, respira longamente de alívio; ou é um alto e sonoro “acabou” como antes do 25 de Abril se chegava ao “às armas” da Portuguesa e de repente toda a gente gritava a plenos pulmões; ou é uma espécie de vingança saborosa em ver na mó de baixo aqueles que sempre entenderam que têm o direito natural de estar na mó de cima.

Ou há mesmo uma variante irónica, como se o “acabou” fosse semelhante ao do episódio dos Monty Python em que uma personagem num pub dizia para um eleitor circunspecto do PAF ao lado “you know what I mean?” e tocava-lhe nos braços numa cumplicidade admitida. Wink, wink. No episódio, depois queria vender-lhe fotografias pornográficas: “you know what I mean?” Aqui, era uma fotografia de Cavaco Silva a “indicar” António Costa, wink, wink. Até eu fico da escola do engraçadismo, imaginando alguns personagens que andaram a insultar a nossa inteligência, a mentir-nos descaradamente, e a atacar o bolso dos que não se podiam defender, culpando-os de “viverem acima das suas posses” e de serem “piegas”.

“You know what I mean?”. Piu-pius governamentais que vivem no Twitter; irrevogáveis de geometria variável; o “impulsionador jovem” que aos saltos no palco dizia à assistência “ó meu, isso da história não serve para nada”; os “justiceiros geracionais” que queriam tirar as reformas aos pais e avós para em nome de uns abstractos filhos e netos as darem a “outros” pais e avós, bem vivos e presentes, em nome da “estabilidade do sistema financeiro”; os neo-malthusianos que nos encheram de simplismos gráficos em que se escolhiam os parâmetros e se excluíam outros para concluir que “não há alternativa”; os arrojados ultra-liberais, que queimam o valor dessa bela palavra de liberdade, e que proclamam que nunca, jamais e em tempo algum quereriam “casar” com as “esganiçadas” do Bloco, sem sequer perceber o que lhes diz o espelho; as mil e um personagens ridículos cuja desenvoltura vinha de terem poder, estarem encostados ao poder e entenderem que tinham impunidade para pisar os outros porque eram mais fracos e tinham menos defesas. Vamos todos dançar a tarantela para expulsar o veneno.

Acabou!!! Sabem ao que me refiro? Sabem, sabem. Bem demais.

Acabou.

Acabou. Percebe-se no ar que chegou ao fim uma época, um momento da nossa vida colectiva e que existe um desejado ponto sem retorno. E, na verdade, para “aquilo” já não é possível voltar, pode ser para outra coisa pior ou para outra coisa diferente, mas para o mesmo já não há caminho.

O modo como “acabou” conta muito, porque é diferente dos modos tradicionais da vida política portuguesa. Se o governo PSD-PP tivesse acabado nas urnas por uma vitória do PS mesmo tangencial, o efeito de ruptura estaria muito longe de existir, mesmo que o governo PS não fizesse muito de diferente do que o actual governo minoritário vai fazer. Foi a ecologia da vida política portuguesa que mudou, com o fim da tese do “arco de governação” e, mais do que qualquer solução, que pode ser precária, não durar ou acabar mal, acabou a hegemonia de uma das várias construções que suportavam a ideologia autoritária que minava a democracia nestes dias, a do “não há alternativa”.

Acabaram os votos de primeira e os de segunda, com o escândalo de também os votos de um torneiro numa oficina de reparações, que faz todas as opções erradas e tribunícias, é sindicalizado nos metalúrgicos, vive na margem sul, e vota na CDU, também valer para que haja um governo de pacíficos funcionários públicos e professores que votam no PS, ex-membro do “arco da governação”. Não é por amor ao governo de Costa, nem ao PS, é outra coisa, é porque não queriam os “mesmos” e foi essa força que os fez acabar. Vem aí o PREC? Se a asneira pagasse multa podíamos enviar os asneirentos num pacote para pagar a dívida e ainda ficávamos com um superavit.» [DN]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

   
 Estátua da liberdade foi concebida como uma agricultora muçulmana
   
«El Instituto Smithsoniano, un centro de educación e investigación estadounidense, confirmó el curioso detalle presentado anteriormente en el libro 'Poder, fe y fantasía' del historiador Michael B. Oren, de que la Estatua de la Libertad neoyorquina originalmente fue diseñada para ubicarse en el canal de Suez, Egipto, y tenía que representar a una beduina vestida con túnica y con pañuelo. El monumento creado por el escultor francés Frederic Auguste Bartholdi, tenía que ser un símbolo del progreso egipcio, informa el sitio del Instituto.

No obstante, todo cambió porque el autor de la estatua no logró vender esta idea al gobernador de Egipto, que la consideró demasiado costosa.

Por lo tanto, el diseño del proyecto fue alterado para desembocar en la 'Libertad Iluminando al Mundo', el nombre oficial del enorme monumento regalado por Francia a Estados Unidos para conmemorar el centenario de la independencia del país.» [RT]

 Que vá à fava
   
«O governo de António Costa quer a aprovação final do Orçamento do Estado de 2016 e m março - mas só depois de Cavaco Silva já não ser Presidente da República.

A proposta vai agora começar a ser preparada e os calendários serão modelados de forma a que o momento da aprovação final e global do documento já se faça com um novo inquilino no Palácio de Belém.

Por tradição, os presidentes da República tomam posse a 9 de março, um dia bastante distante da data da primeira volta (que será em 24 de janeiro) mas que acomoda a possibilidade de duas voltas (que só aconteceu uma vez na democracia portuguesa, em 1986, na eleição em que Mário Soares derrotou Freitas do Amaral por escassos 160 mil votos).» [DN]
   
Parecer:

É a resposta a dar às forças de obstipação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Surprise!
   
«À beira das eleições, Cavaco Silva realçava que já tinha “estudado todos os cenários”. Independentemente de haver ou não maioria absoluta, ou de a vitória minoritária ser dos partidos da coligação ou do PS, o Presidente da República que “nunca se engana” já tinha ponderado os diferentes cenários. A realidade, porém, deu-lhe uma outra hipótese que não lhe tinha ocorrido.

“O Presidente foi apanhado de surpresa, como a maioria de nós”, conta ao Expresso fonte próxima da Presidência.

Cavaco Silva, recorde-se, esperou um dia para reagir às eleições. Depois, acabou por convidar Passos Coelho. Mas foi entre reuniões à Direita, numa primeira fase, que não surtiram efeito, e reuniões à Esquerda, que se prolongaram durante semanas, que o cenário atual de governação do PS se foi construindo.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O homem que nunca tem dúvidas, que raramente se engana, que conhecia todos os cenários, foi apanhado de calças na mão!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

   
   
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