quarta-feira, novembro 04, 2015

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Os resultados eleitorais confrontaram a esquerda com uma realidade até aqui desconhecida, não e a primeira vez que os partidos do arco da esquerda estão em maioria no parlamento, mas pela primeira vez as posições da direita são tão radicais que torna o programa do PS mais aceitável pelo PCP e pelo BE. Até aqui a tese daqueles partidos era a de que não havia grande diferença entre o PS e o PSD, agora essa diferença ficou óbvia e viabilizar um governo de direita seria ajudar a destruir o que Passos não conseguiu destruir nos quatro anos em que governou com um parlamento e uma presidência mais obedientes do que no tempo de Salazar.
  
Não foi António Costa que levou o PCP a reequacionar uma estratégia política com décadas, foi um discurso de Cavaco Silva em que este informava o PCP que um governo da direita apoiado pelo PS significava a exclusão daquele partido da vida política portuguesa, a sua presença na democracia representava para a direita apenas o custo dos vencimentos dos seus deputados. O discurso de Cavaco em relação ao PCP e ao BE era óbvio, se não os posso excluir recorrendo a uma ditadura, então vou excluí-los da vida democrática metendo-os num gueto parlamentar. Cavaco ameaçou num primeiro discurso e foi ainda mais claro nessa ameaça no segundo discurso.
  
Não foi o PS que virou à esquerda, foi o PSD de Passos Coelho que se radicalizou e se aproximou das teses da extrema-direita no domínio da politica económica, a política seguida pelo seu governo foi a que mais se aproximou das teses económicas da ditadura de Pinochet. Sem qualquer mudança as teses do S ficaram bem mais próximas dos mínimos exigidos pelo PCP e pelo BE. Não está em causa a NATO, o euro ou a união bancária mas sim o Estado Social e valores de convivência há muito adquiridos no modelo social do país. Não está em causa a nacionalização da banca, mas sim os direitos mais elementares como o simples direito ao salário que para Passos Coelho podia ser posto em causa quando estavam em causa grupos profissionais por ele odiados.
  
O extremismo de Passos Coelho já era evidente quando na campanha eleitoral de 2011 Paulo Porta apelava ao voto do CDS porque seria a forma de travar o radicalismo do PSD. Comos e viu o radicalismo de Passos foi em mais violento do que o prometido na campanha eleitoral e sabe lá porque motivo o líder do CDS em vez de “amaciar” o seu líder de coligação assumiu o papel de caniche.
  
Agora a esquerda está obrigada a demonstrar que há uma alternativa às políticas seguidas por este governo, que em vez do confronto é possível estabelecer um pacto social que reparta os sacrifícios e promova uma artilha equitativa dos resultados. Não há credores ineterssados em perdoar dívidas nem financiadores que confiem na instabilidade e incerteza, cabe à esquerda demonstrar que é capaz de ser competente e que a saída das crises não se conseguem apenas com  cortes, emigração e injustiça social.
  
Ou a esquerda assume o compromisso de governar com competência ou a maiorias sociológica que tradicionalmente a apoia poderá desaparecer nas próximas eleições.
  

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