sábado, novembro 07, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Leal da Costa, rainha por quinze dias

Depois dos disparates religiosos de Calvão da Silva foi a vez do ministro nado-morto da Saúde, o tal que assegurava que os doentes estavam confortavelmente em macas porque estas tinha protecções que evitavam quedas, vir dar um ar da sua graça. O país ficou a saber que nem que fosse por 24 horas era importante que fosse ele o ministro.

«Leal da Costa contou ao SOL que o convite de Passos Coelho para assumir a liderança do Ministério chegou via telefone no dia 26: “Disse-lhe logo: ‘Com certeza senhor primeiro-ministro: seja por 24 horas ou por 4 anos”.

“Há muito boa gente que pensa que fui escolhido para 15 dias mas, perdoem-me a arrogância, o senhor primeiro-ministro por ventura reconhecerá a minha competência”, atirou, acrescentando que “era importante” a continuação no cargo.

“Acho que era importante que o próximo ministro da Saúde fosse eu”, frisou.» [Notícias ao Minuto]

 Aritmética, diz ele

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Alguém tem de explicar a este senhor que em qualquer parlamento democrático do mundo a determinação do número de deputados que formam uma maioria será sempre um problema de aritmética e acreditar que um partido minoritário pode governar é um problema de falta de lucidez, senão mesmo de inteligência. Aliás, um ministro de um governo que ainda não passou no parlamento e fala em governar uma legislatura enquanto no mesmo dia o seu primeiro-ministro fala em liderar a oposição só pode estar mesmo com uma preocupante falta de lucidez.

 Será o drone do Aguiar-Branco

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Pela forma como se riem à gargalhada só podem estar a falar do já mundialmente famoso drone do Aguiar-Branco.



 E porque não uma associação de gestores comunistas?

Depois de aparecer um manifesto dos 100 empresários, os membros de uma Associação de Empresas Familiares, defendendo um governo de direita não nos admiremos que ainda apareça  um manifesto dos gestores comunistas liderado por Eduardo Catroga e Mexia defendendo a mesma solução governativa.
  
 PS não cai nas sondagens?

E Assis diz representar metade dos eleitores deste partido?

 Cheios de boa vontade
 
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E onde esteve a boa vontade quando governavam com maioria absoluta?

 Cheios de boa vontade



      
 Carta aberta em jeito de dedicatória
   
«Há dias, o primeiro-ministro Mariano Rajoy recebeu os líderes dos partidos espanhóis. Entre eles, Pablo Iglesias, do Podemos, partido que, mudando o que há para mudar, seria por cá o BE. À saída, o esquerdista ofereceu um livro ao capitalista. Livro de Antonio Machado (1875-1939), vocês sabem, o poeta daqueles dois versos que todos conhecemos, que mais não seja cantados por Serrat: "Caminante, no hay camino/ Se hace camino al andar." Não conheço melhor hino ao reformismo - não te vás por ideias feitas, vai fazendo, alerta e confiante... Mas não foi um simples toca e foge de Pablo Iglesias, que alguns nos apresentam como empedernido radical. Ele fez uma dedicatória ao adversário: "Estimado Mariano, escreveu o nosso grande amigo Antonio Machado "para dialogar, pergunta primeiro, depois escuta..."" Continuamos, pois, na mão estendida. Mas há mais: o livro era o Juan de Mairena. Machado, como o nosso Pessoa, inventava heterónimos e falava por eles. Filósofo e professor, como quis o seu biógrafo (Machado), Juan de Mairena é autor de ideias que combatem, radicalmente, o radicalismo. Dele, cito duas frases. Primeira: "Não ter vícios não acrescenta nada à virtude." Segunda: "Tirar a batuta a um maestro é tão fácil quanto difícil é reger com ela a Quinta Sinfonia de Beethoven." Traduzido até ao osso: não chega protestar, há que ajudar a fazer. Que lição aos acantonados, à esquerda e à direita, destes nossos tão prometedores dias.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Novo Banco, biombo velho
   
«Nunca tinha acontecido, mas aconteceu agora: uma entidade pública dependente do Governo teve a extraordinária ousadia de contratar um membro do próprio Governo para exercer uma actividade profissional imediatamente a seguir a deixar o cargo! A inovação, de tão exótica, impressiona.

A tal ponto que - valha-nos Deus! - nem quero pensar o que seria se uma coisa destas tivesse acontecido com um governo socialista: sem dúvida, o País estaria hoje mergulhado numa onda de comoção nacional lamentando a quebra de mais uma tão nobre “tradição democrática portuguesa”. Felizmente, não é o caso e podem por isso os moralistas oficiais do regime, sempre tão apegados às tradições, assobiar para o lado e resignar-se à incontornável fatalidade histórica de que a tradição já não é o que era.

Em causa, obviamente, está a recente contratação do dr. Sérgio Monteiro para liderar o processo de venda do Novo Banco. 

Não pelas qualidades pessoais ou profissionais do interessado, que não se trata de discutir aqui, mas sim pelas circunstâncias absolutamente anormais do caso. 

A contratação de Sérgio Monteiro para as funções de Project Management Officer do projecto de venda do Novo Banco foi tornada pública por comunicado do Banco de Portugal de 29 de Outubro. A data é importante: nessa altura, o dr. Sérgio Monteiro estava ainda no exercício de funções como membro do Governo, enquanto secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações. Perguntar-se-á, ainda assim, se não será legítimo que o Banco de Portugal, com a autonomia de que goza na gestão dos seus recursos humanos, possa promover negociações com um membro do Governo tendo em vista a sua contratação futura como profissional, desde que esse contrato só produza efeitos terminado o exercício das funções governativas? Tivesse a contratação sido realmente efectuada pelo Banco de Portugal e o caso, embora discutível, poderia ser, apesar de tudo, defensável. Mas a verdade é que o Banco de Portugal não contratou ninguém: limitou-se a emitir um comunicado e a servir, mais uma vez, de biombo do Governo.

As aparências têm destas coisas: por vezes iludem. Sendo a contratação anunciada pelo Banco de Portugal, em comunicado seu, publicado no respectivo sítio oficial, a imagem que inevitavelmente passa, e sem dúvida se quis passar, é a de que se tratou de uma contratação feita pelo próprio Banco de Portugal. E funcionou: foi exactamente isso que acabou escrito, preto no branco, na maior parte dos jornais. Contudo, uma leitura um pouco mais atenta do segundo parágrafo do comunicado do Banco de Portugal revela, sem margem para dúvidas, que afinal a contratação do então secretário de Estado foi efectuada não pelo Banco de Portugal, que apenas a divulgou, mas sim pelo Fundo de Resolução - o que faz toda a diferença. De facto, o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução não são a mesma coisa. O Fundo de Resolução é uma entidade pública, detida pelo Estado, cujos administradores são maioritariamente nomeados pelo Governo ou com a sua participação. Sendo assim, não há volta a dar: que uma entidade pública, sob tutela governamental, dirigida por administradores maioritariamente nomeados pelo Governo, tenha contratado os serviços profissonais de um membro do Governo em funções, é, obviamente, ultrapassar os mais elementares limites da decência. Que o tenhamos de saber pelo site do vizinho, é ainda mais feio.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.

      
 Passos está a voltar a si
   
«O primeiro-ministro Passos Coelho assumiu nesta sexta-feira estar disposto a ir para a oposição, caso o Governo seja derrubado na próxima terça-feira.

"O que eu digo é que estarei onde for preciso", disse o líder social-democrata, depois de uma reunião de cerca de uma hora com os deputados do PSD e do CDS.

Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre se estaria disponível para liderar a oposição, caso seja aprovada uma moção de rejeição ao programa de Governo. “O que eu digo é que estarei onde for preciso: no Governo, que é o lugar natural que se espera de quem ganha as eleições, mas, se porventura não estiver no Governo e estiver na oposição, não deixarei de assumir as minhas responsabilidades”, afirmou. O primeiro-ministro sublinhou a ideia de que, se o actual Governo for derrubado, a culpa é do PS. “Se, porventura, não for primeiro-ministro no futuro, será pela vontade do PS e não pela vontade dos partidos da coligação”, repetiu por duas vezes.» [Público]
   
Parecer:

Parece que já percebeu que a sua vitória lhe dá o lugar de líder de uma oposição formada pelo PaF, digamos que Passos e Portas vão coligar-se para sobreviverem na liderança dos partidos de direita. Enfim, Passos quer ficar a assar na oposição.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A justiça está mais democrática
   
«O Ministério Público e a Polícia Judiciária estão a investigar no âmbito do chamado processo dos vistos gold o concurso para um privado assegurar a operação e manutenção dos seis helicópteros pesados do Estado, os Kamov comprados em 2006 pelo Ministério da Administração Interna.

A informação foi avançada quinta-feira pelo Correio da Manhã e confirmada pelo PÚBLICO, que apurou que o inquérito está perto de ser finalizado já que a acusação terá que ser proferida até meados deste mês para que o único arguido que ainda está em prisão preventiva, o antigo presidente do Instituto dos Registo e Notariado, António Figueiredo, não seja libertado.

Na origem da suspeita está um e-mail que o ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo terá enviado ao seu antigo sócio Jaime Gomes, ambos arguidos na referida investigação, com o caderno de encargos do concurso público internacional, semanas antes da publicação do mesmo, em Julho de 2014.» [Público]
   
Parecer:

Não se percebe se é o resultado da derrota eleitoral que sofreu no passado mês ou se por formação democrática, o certo é que parece estarmos a assistir à democratização das violações do segredo de justiça, agora também temos umas coisas para que se possa dizer que a direita também é vítima do fenómeno.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Cheiram a direita que tresandam
   
«Um balde de água fria. É assim que os mais de 100 empresários que subscrevem o manifesto da Associação das Empresas Familiares veem a iniciativa de António Costa de encontrar um acordo à esquerda e constituir governo com o apoio do PCP e do Bloco. Uma alternativa que gera riscos e incerteza e está a levar os empresários a "cortar nas expectativas", a "adiar contratações" e a produzir "orçamentos defensivos", explica ao DN Peter Villax, vice-presidente da farmacêutica Hovione e promotor do manifesto que apresenta como um alerta e que, sabe o DN, será entregue em mão ao Presidente da República, Cavaco Silva.

"Como é que podemos não nos preocupar com a ideia de um governo apoiado por dois partidos que são estatutariamente contra a iniciativa privada", questiona. "Se o PCP disser que tem políticas para incentivar o investimento, a investigação e o desenvolvimento, ótimo. Mas vivi intensamente 1974 e 1975 e nos últimos 40 anos não ouvi uma expressão de contrição ou arrependimento do PCP pela quase destruição do país", diz ao DN o promotor do Manifesto dos 100 Empresários.» [DN]
   
Parecer:

Imagine-se a que partido pertencem estes senhores da Associação de Empresas Familiares. Parece que a direita ainda não percebeu que quem não tem maioria parlamentar costuma ser oposição, é isso que distingue das ditaduras das democracias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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