sexta-feira, janeiro 22, 2016

Do “Três Pinheiros” da Mealhada à Cervejaria Trindade

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A gestão do timing do lançamento da candidatura de Maria de Belém teve duas consequências dramáticas para as ambições da candidata, da primeira já ela se queixou, quando achou que o momento mais adequado para tornar públicas as suas ambições presidenciais era o dia da apresentação da lista de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa acabou por perder tempo, Sampaio da Nóvoa aproveitou-se e conseguiu o apoio de personalidades como Sampaio e Soares. Com os dois ex-presidentes á “contratados à hora” e custo zero por Sampaio da Nóvoa restou a Maria de Belém contratar os presidentes da equipa B e lá apareceram todos os derrotados, com Manuel Alegre a fazer de cabeça de lista desta equipa digna de Bruno Carvalho levar à Taça da Liga.
  
Agora percebe-se que houve uma segunda consequência do atraso no impulso presidencialista de Maria de Belém, deixou escapar a reserva da Cervejaria Trindade para o último dia da campanha eleitoral para a candidatura de Sampaio da Nóvoa. O almoço na cervejaria Trindade no último dia das campanhas eleitorais seguido da arruada pelo Chiado é um ritual eleitoral do PS e o facto de ser Sampaio da Nóvoa a assumir a sua realização relega Maria de Belém para um estatuto de candidata de segunda.
  
Sem dúvida que esta facção gastronómica do PS tem sido marcada por azares de marcação, tudo começou com Assis a adiar o almoço no restaurante “Três Pinheiros”, na Mealhada, começou por ser num dia e por causa do Costa teve de ser no outro, começou por ser um almoço e acabou por ser um jantar, esperava-se casa cheia e bastava comprar umas quantas febras no take away do Continente para dar de comer aos escassos comensais. Na Trindade as coisas não correram tão mal, o almoço já estava pago e com tanta gente a precisar de afogar as mágoas é bem possível que a casa tenha feito um bom negócio em imperiais.
  
Com a candidatura em queda livre o almoço da Trindade foi um frete, com discursos de circunstâncias e a candidata desorientada por ter sido apanhada no caso das subvenções a politicas. Ainda por cima foi duplamente apanhada, não só foi vítima do populismo bloquista que cresce no país, como se ficou a saber que a defesa das subvenções foi feita pela calada. 
  
A campanha de Maria de Belém tem sido um desastre, foi feita nos corredores da Santa Casa com muitos beijinhos de velhos arregimentados pelos senhores desse submundo nacional da agora chamada economia nacional, fortemente marcada pelo despudor religioso da candidata e com um discurso cheio de sonsices e de velhacarias. O momento mais alto e aziago da candidata acabou por ser o seu primeiro comentário sobre as subvenções, quem a ouviu com aquele ar sofrido e pesaroso a dizer que tínhamos de respeitar as decisões do Tribunal ate ficou convencido de que a senhora estaria incomodada, qual não foi a surpresa quando se soube de que era uma das signatárias do pedido ao Triunal Constitucional. Num dia dizia que tínhamos de respeitar o acórdão, no dia seguinte, quando se soube do seu interesse pessoal, que ia analisar o acórdão à luz dos seus interesses pessoais e por fim bradou aos céus que não abdicava dos seus direitos.

Não admira que o comício de ontem tenha sido deprimente até para os seus adversários, não estavam lá nem os 50% dos eleitores do PS que se opõem ao governo de António Costa e estão do lado de Assis e que supostamente votarão Maria de Belém, estavam meia dúzia de amigos, familiares e apoiantes ouvindo uma candidata a discursar para justificar a sua derrota. A dúvida agora é saber se Maria de Belém fica atras ou à frente do Tino de Rãs, tal como ela uma grande apoiante de António Guterres.
  

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