terça-feira, janeiro 19, 2016

O dia seguinte

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Nunca a vida dos partidos esteve tão dependente do resultado de umas eleições presidenciais como agora, ao escolherem o futuro Presidente da República os portugueses estarão a condicionar a vida interna dos partidos. 
  
Ao candidatar-se quase como um independente do centro esquerda Marcelo Rebelo de Sousa dispensou o apoio dos partidos da direita, sendo claro que quer chegar ao dia seguinte e poder dizer que não precisou do apoio de Passos Coelho para ganhar as eleições. Marcelo não se revê neste PSD extremistas dos Passos e dos Morgados e nunca esquecerá a humilhação de ter sido apelidado de cata-vento. 
  
O CDS é um órfão nestas eleições a tal ponto que Paulo Portas abriu um processo de sucessão em plena campanha presidencial, algo que só se compreende porque quer a máquina do partido, quer as suas principais figuras foram dispensadas de aparecer na campanha. Marcelo foge dos extremistas do PSD e dos ultraconservadores do CDS como o diabo foge da cruz. Marcelo tem contas antigas a ajustar com Paulo Portas e nunca quererá chegar a PR com a sensação de o conseguiu graças ao apoio do ainda líder do CDS.
  
Pela primeira vez o BE quer medir forças numa campanha presidencial tentando fazer com as eleições o que os especuladores fazem na bolsa de valores, num momento de alta das suas cotações o BE vai às presidenciais “vender para realizar mais-valias”, o BE quer confirmar-se como o terceiro maior partido e crescer em relação ao CDS e ao PCP. A comunicação social favorece-o e casos como o BANIF vieram dar-lhe maior exposição.
  
O PCP costuma ir às presidências aproveitar o espaço publicitário proporcionado pelas mesmas, mas desta vez luta também pela sua sobrevivência face a um BE que lhe rouba espaço. O problema é que a escolha de candidatos que devem obedecer ao seu velho estereotipo de dureza e firmeza ideológica pode ter resultados negativos, ver um ex-padre defender um regime onde os opositores e familiares são abatidos com tiros de metralhadoras antiaéreas ou onde todo um povo já nem tem a noção da realidade não dá muitos votos. A campanha de Maria Matias bate a de Edgar Silva por muitos pontos e isso pode ter resultados desastrosos no próximo domingo.
  
António Costa ainda tentou transformar a primeira volta das presidências nas primárias para a escolha do candidato do PS mas é cada vez mais óbvio que Maria de Belém não é candidata a candidata presidencial e votar na sua candidatura é cada vez mais votar contra a liderança de António Costa. À medida que Maria de Belém cai nas sondagens em consequência de uma campanha feita no submundo da tal economia social tão apreciada pelo CDS, o seu discurso torna-se cada vez menos abrangente e cada vez mais centrado numa disputa interna no PS, com vista ao seu próximo congresso. Para Maria de Belém esta primeira volta das presidenciais e cada vez mais a primeira volta das directas para a liderança do PS e votar Maria de Belém é votar contra António Costa.

Na direita Portas partiu e Passos aguarda pelo seu funeral político, o eleitorado de esquerda festeja a partida de Cavaco Silva e decide se Costa sobrevive e se o BE passa mesmo o PCP. Se há ou não segunda volta é outra questão, se tal suceder arruma-se já a questão dos partidos, como diria o Marcelo e ver-se-á depois quem é o presidente.
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