terça-feira, janeiro 26, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura



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Casa do Bairro do Grandela, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Cavaco Silva tinha de dar nas vistas no dia seguinte às eleições presidenciais e decidiu fazê-lo das pior forma, com um veto político a dois diplomas, um veto ideológico e religioso. Dizer que recebeu uma "exposição sobre o diploma de um grupo de “reputados juristas e professores de Direito” que defende, precisamente, que este regime tem “fundamentos descentrados da tutela jurídica destas crianças” é uma forma de sacudir responsabilidades por uma decisão meramente pessoal e que tem em conta única e exclusivamente as suas convicções pessoais e religiosas.

«Falta um “amplo e esclarecedor debate público” sobre a adopção plena por casais do mesmo sexo para que se possa introduzir uma alteração tão “radical e profunda” na lei, argumenta o Presidente da República ao anunciar esta segunda-feira o veto do diploma que lhe fora enviado pelo Parlamento. A mensagem está assinada com a data de 23 de Janeiro, ou seja, o dia de reflexão prévio às eleições presidenciais deste domingo.

Na mensagem que enviou ao Parlamento juntamente com a devolução do diploma para que os deputados o reapreciem, como determina a lei, Cavaco Silva desconstrói também a argumentação jurídica usada pela maioria de esquerda.

O Chefe de Estado lembra que o pressuposto de que parte o decreto que lhe chegou às mãos é o da “existência de uma discriminação dentre casais de sexo diferente e casais do mesmo sexo no que respeita à adopção”, ao passo que é comummente aceite que a adopção “deve reger-se pelo superior interesse da criança”, o qual “deve prevalecer sobre todos os demais, designadamente o dos próprios adoptantes”.

“É consensual que, em matéria de adopção, o superior interesse da criança deve prevalecer sobre todos os demais, designadamente o dos próprios adoptantes. O interesse da criança é a linha-mestra condutora que deve guiar não apenas as opções legislativas sobre adopção como a própria decisão dos processos administrativos a ela respeitantes”, afirma Cavaco Silva.» [Público]

 Ridículo

Lançaram e apoiaram uma candidatura para dividir o PS, jfizeram uma campanha à direita erguendo as bandeiras da doutrina social da Igreja e da economia social, recorreram ao ataque sistemático ao outro candidato apoiado pela área do PS. Agora falam em derrota do PS, em falta de apoio e num PS dividido. Apetece responder-lhes como faria o saudoso almirante Pinheiro de Azevedo.

 A força social e a força eleitoral

A afirmação de Jerónimo de Sousa de que a força social do PCP é maior do que a sua força eleitoral corresponde à velha tese de que à maioria absoluta do parlamento se opunha uma maioria absoluta na rua. O que Jerónimo de Sousa não consegue explicar é porque razão ao fim de 40 anos o PCP não conseguiu traduzir em força eleitoral a força social que diz ter.

 A  próxima candidata presidencial do PCP

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 A abstenção

Quando o partido do governo liderado pelo primeiro-ministro se absteve nas eleições presidenciais não admira que mais de 50% dos portugueses tenham optado pela abstenção nas presidenciais, muitos deles optaram por não participar na primeira volta das presidenciais no PS. Aliás, reduzir dois candidatos presidenciais a meros candidatos a primárias presidenciais foi uma manifestação de descredibilização desses candidatos e das eleições presidenciais.
 
Se há partidos e políticos que optam pela abstenção por uma questão de conforto político-partidário como podemos criticar os portugueses que entre o conforto de ficar em casa e o desconforto de ir votar fizeram a mesma opção do PS e do seu líder?

      
 As engraçadinhas e o bigode de Mário Nogueira
   
«António Costa está a viciar-se em ganhar eleições depois de perdê-las, e isto não é uma acusação, é sublinhar um mérito. A política é como a economia: deve ser a boa gestão dos recursos disponíveis. Ter dois candidatos "da área" votados a perder, sem se comprometer com nenhum é boa fórmula quando não pôde haver melhor (Guterres) e do outro lado estava um provável invencível. Acresce que Costa teve sorte por esse vencedor provável ser um político inteligente e não uma ressabiada força de bloqueio.

Porém, desta vez, a vitória eleitoral (enfim, a do mal o menos) é manchada pela confirmação dum perigo potencial. A frágil aliança governamental é uma tripeça em que um dos pés de sustentação fraqueja. Pior, sente-se tapado por outro. Se, em outubro, comparar o PCP com o BE já doeu aos comunistas, o resultado de domingo, Edgar Silva com menos 2,5 menos votos do que Marisa Matias, é muito mau. Mais, os dois resultados seguidos sugerem uma tendência...

Significa isto que se os estados-maiores dos partidos políticos portugueses se reunirem para perceber domingo passado (o que aconteceria se eles fossem geridos como empresas), o CC do PCP deveria debater um ponto único: mudar. Obrigatoriamente, mudar. Porque os comunistas cada vez mais se parecem a anedota do casamento por interesse ou por amor: o eleitorado vê no PCP um caso de amor, porque interesse não tem nenhum.

Isso seria um problema interno - em toda a Europa já resolvido com o desaparecimento de PCs no séc. XXI - não fosse o nosso PC um dos sustentáculos da solução governativa. Os outros dois percebem-se: o PS, porque serve para califa, e o BE porque é o Grão-Vizir Iznogud que quer o lugar do califa. Estes últimos conhecem as linhas com que se cosem e vão-se apoiar antes de lá mais para a frente se defrontarem. O problema é com o PCP, que se descobre, agora, o verdadeiro "it's no good", sem préstimo algum.

Ontem, Jerónimo de Sousa disse: "Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinhos, um discurso populista, seria fácil aumentar a votação..." Alusão evidente aos sucessos recentes de Marisa Matias, Catarina Martins, Mariana Mortágua... Não percebeu nada. O problema do PCP é o bigode de Mário Nogueira ou o ar do ex-padre Edgar Silva. E o problema não é o visual conservador. Mas tudo o resto sê-lo.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Uma má notícia nunca vem só
   
«Com 4,2% e 3,9% dos votos, respetivamente, Maria de Belém e Edgar Silva não vão ter direito a receber a subvenção estatal para fazer face às despesas da campanha eleitoral. Segundo as regras eleitorais da Comissão Nacional de Eleições, só os candidatos que conseguem obter pelo menos 5% dos votos nas eleições têm direito a este apoio – o que deixa muitos de fora. Além de Maria de Belém e Edgar Silva, também Henrique Neto, Paulo de Morais, Vitorino Silva, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira vão ter de pagar do seu próprio bolso.

Edgar Silva tinha orçamentado como gastos de campanha 750 mil euros enquanto Maria de Belém previa gastar 650 mil. Agora esses valores terão de ser pagos pelos candidatos, partidos ou simpatizantes sem recurso a qualquer apoio do Estado.

A subvenção estatal representa um bolo total de 3.408.000 euros, que é depois repartido de forma proporcional pelas várias candidaturas. 20% destes 3.408.000 são distribuídos de forma igual por todos os candidatos que obtenham pelo menos 5% dos votos, enquanto os restantes 80% são distribuídos de forma proporcional consoante os resultados obtidos – recebe mais dinheiro o candidato mais votado.» [Observador]
   
Parecer:

Depois do desastre eleitoral Maria de Belém ainda vai ter de suportar a fatura da sua campanha eleitoral.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Tenha-se pena.»
  
 É preciso ser canalha
   
«As declarações de Durão Barroso foram proferidas durante uma conferência organizada pela Católica Lisbon School of Business & Economics da Universidade Católica Portuguesa. Uma conferência subordinada ao tema da União Bancária europeia.

Apesar de o tema em debate ser a União Bancária, Barroso não fugiu às questões sobre o estado atual da economia europeia e, também, portuguesa. Olhando para trás, para o programa de assistência, e “procurando ser intelectualmente honesto, acho que o esforço foi demais, até no caso português, Mas temos de ver porque é que foi demais. Dito isto, penso que não se verificou a tese da espiral recessiva. Ou seja, numa fase inicial, sim, a austeridade provoca um efeito recessivo mas é essencial para resolver o problema maior que era o problema da confiança“.

Eu também tenho dúvidas se o grau foi o adequado. Podemos discutir a dosagem e o tempo. Eu disse-o, publicamente: esta política que estamos a fazer na zona euro tem limites políticos e sociais. E viu-se: na Grécia ganhou um partido frontalmente contra o consenso europeu (que depois teve de rever completamente a sua política), em Portugal o partido que aplicou essa política perdeu a maioria parlamentar, apesar de ter ficado em nº1 nas eleições… Mas, na altura, esta era a única política possível, porque por exemplo em Chipre nós pedimos o dobro do dinheiro, mas depois vinha o FMI, com a sua análise à sustentabilidade da dívida, e limitava o montante."» [Observador]
   
Parecer:

É preciso ser canalha para vir agora dizer que houve excesso de austeridade, para questionar a orgânica do governo ou para defender ao tempo do fim de semana inglês.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se este senhor à bardamerda.»

 Confirmada a mentira frudulenta da Maria Luís
   
«O fecho da execução orçamental do ano passado confirma aquilo que já se antecipava nos últimos dois meses. A soma da cobrança do IRS e do IVA não será suficiente para cumprir o pressuposto que permitiria devolver aos contribuintes uma parte da sobretaxa paga no ano passado.

A receita dos dois impostos cresceu apenas 3,2% até dezembro, quando a meta fixada pelo anterior governo no Orçamento do Estado para o crescimento do IVA e IRS apontava para 3,7%. Os dados do último mês, e que são os contam para o cálculo dessa devolução, mostram que a cobrança ficou cerca de 130 milhões de euros abaixo do valor que permitiria devolver uma parte da sobretaxa.» [Observador]
   
Parecer:

Nada de novo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

   
   
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