quinta-feira, janeiro 28, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Francisco Assis

A coragem política é um atributo dos líderes e não é necessária muita coragem para assumir-se como alternativa, o risco de ir a um congresso do PS e levar duas galhetas é bem menor do que ir-se meter onde não foi chamado, como sucedeu quando foi a Felgueiras. Mas depois do fiasco da jantarada Na Mealhada e no rescaldo da derrota humilhante e financeiramente muito dolorosa de Maria de Belém aquele que tem dado rosto à divergência no PS opta por não ir a jogo.

«O eurodeputado Francisco Assis diz que é tempo de encerrar o capítulo das eleições presidenciais - que “não correu bem ao PS” – e seguir com atenção o partido com o qual mantem uma “divergência programática e ideológica". O ex-líder da bancada parlamentar socialista discorda desde a primeira hora da solução encontrada pelo primeiro-ministro, António Costa, de fazer um acordo com as esquerdas para poder formar Governo e mantém essa divergência. Mas isso – sublinha – não significa que vá protagonizar já uma tendência interna dentro do partido.

Em declarações ontem ao PÚBLICO, Francisco Assis, que se está a restabelecer de uma cirurgia, reafirma a sua oposição ao caminho seguido pelo secretário-geral do PS, mas afirma que não está a preparar qualquer documento programático para levar ao congresso do partido, marcado para o primeiro fim-de-semana de Junho.

“Não delineei nenhuma estratégia e nem tenho nenhuma perspectiva do que vou fazer em relação ao congresso”, afirmou, insistindo: “Não tenho nenhum movimento [de oposição interna], mas isso não significa que não tenha a minha posição sobre as coisas e não deixarei de exprimir as minhas opiniões”. Revela que a ida ao congresso “não entrou” nas suas reflexões” e que “nada está definido sobre isso”.» [DN]

 Ainda que mal pergunte

O governo deu conhecimento prévio do esboço do orçamento a Cavaco Silva ou como o senhor está de partida já é mais tolerante do que no tempo do PEC IV?

 Marcelo ajudado pela TV


Marcelo não foi o primeiro a ganhar eleições impulsionado por uma gestão da sua imagem na televisão, desde o famoso programa que punha Sócrates a Santana Lopes que os políticos portugueses acham que vender um político é como vender os velhinhos sabonetes Lux, o "sabonete preferido por 9 entre 10 estrelas de cinema".

Começa a ser um hábito a escolha de políticos favorecidos pela passagem em programas de televisão. Se por um lado é bom conhecermos os políticos ao pormenor, por outro estamos a escolher entre os políticos previamente escolhidos pelas televisões. Isto é, nas nossas eleições começam a haver umas primárias ocultas, as primárias que escolhem os políticos que podem ascender ao estrelato televisivo.

      
 Esta Comissãoi EUropeia é um nojo
   
«À medida que se aproxima o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito à nacionalização e venda do Banif, ainda sem data agendada, vão surgindo informações que ajudam a levantar o véu sobre o que aconteceu nas vésperas da decisão de resolução que poderá implicar perdas para o Estado até 3200 milhões de euros (2400 milhões já garantidos). O BCE e Bruxelas impunham o Santander nos bastidores, mas oficialmente garantiam que não intervinham.

Durante o processo de venda do Banif, os dois gestores indicados pelo Estado, Miguel Barbosa e Issufa Ahmad, enviaram um email aos restantes administradores da equipa liderada por Jorge Tomé com o seguinte teor: de acordo com instruções da DGCOM para o secretário de Estado das Finanças o concurso para a alienação do banco teria de respeitar condições, nomeadamente, a venda a uma instituição a operar em Portugal cuja dimensão fosse três vezes superior à do Banif. O adquirente não podia ainda beneficiar de auxílio estatal. A missiva foi dirigida ao início da tarde de 15 de Dezembro, terça-feira, quatro dias antes de terminar o prazo indicativo para a venda em concurso, sexta-feira, 18 de Dezembro. O que constitui uma tentativa de Bruxelas de condicionar o resultado do concurso de venda do Banif. A iniciativa de Barbosa e de Ahmad precedeu ainda em seis dias a resolução do banco, decretada domingo, 20 de Dezembro.

O Estado detinha 61% do capital do Banif, o que levou à nomeação dos dois administradores, Miguel Barbosa e Issufa Ahmad, com poderes de decisão e de veto, e de três membros para a comissão de auditoria. Desde Setembro de 2014, que Barbosa estava a tempo inteiro no Banif onde tinha o pelouro do risco, indicado pelo BdP em representação do Estado. Barbosa foi ocupar o lugar deixado vago por António Varela, que, em Setembro de 2014, passou a integrar a administração do Banco de Portugal por nomeação da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque.  

Em Portugal apenas dois bancos, Santander e BPI, cumpriam as exigências de Bruxelas em termos de dimensão (três vezes maiores) e de não terem ajudas públicas. Isto, dado que o BPI já devolveu  o empréstimo estatal de 1500 milhões de euros de Coco’s. Mas na prática, sem o mencionar, Bruxelas restringiu a venda ao Santander. Porquê? Ao contrário da filial do grupo espanhol, o BPI não foi convidado a apresentar uma oferta de compra do Banif.» [Público]
   
Parecer:

Manda quem pode, obedece quem deve.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 Santander faz de vítima
   
«O presidente do Banco Santander Totta, Vieira Monteiro, revelou esta quarta-feira que foram detetadas "situações" inesperadas no balanço do Banif, sem querer especificá-las, mas dizendo que se fossem conhecidas na altura da compra, até podiam ter retirado o interesse na operação.

"Atualmente, tivemos conhecimento de certas situações que estão no balanço do banco", afirmou o gestor durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do Santander Totta, em Lisboa, recusando-se a identificá-las. E reforçou: "Houve certas situações que, se calhar, se soubéssemos nem sequer teríamos apresentado a proposta".

Apesar da insistência dos jornalistas, Vieira Monteiro escusou-se a dar mais detalhes, reservando essa explicação para "a altura certa".

Questionado se havia situações criminais no Banif, o responsável disse que esse tipo de questões teria que ser averiguado pelas autoridades. "Situações criminais ou não criminais, isso caberá às autoridades atuar. Nós não fazemos este tipo de coisas."» [Expresso]
   
Parecer:

Isto ainda vai acabar mal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Guterres também leva uma medalhita
   
«x-primeiro-ministro António Guterres vai ser condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, um mês depois de ter cessado funções como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Segundo fonte da Presidência da República, a cerimónia de agraciamento de António Guterres irá realizar-se na próxima terça-feira, 2 de fevereiro, no Palácio de Belém, em Lisboa.» [Expresso]
   
Parecer:

Quem ainda não tem uma medalha que levante o braço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Guterres se não preferia ter sido condecorado pelo próximo presidente.»

   
   
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