sexta-feira, janeiro 13, 2017

Os concursos para lugares de chefia no Estado

Quando entrei para a Função Pública não haviam concursos para os lugares de chefia, os chefes não tinham quaisquer benefícios por exercerem funções de chefia. Lembro-me que o meu primeiro chefe de divisão partilhava um pequeno gabinete com outros dois técnicos superiores e foi assim durante anos. Nesse tempo uma boa parte das chefias eram quadros de reconhecido mérito, raramente se questionava a escolha ou a competência dos escolhidos.

No meu serviço havia uma telefonista, o Director de serviços tinha uma secretário e todo o resto de pessoal administrativo eram dactilógrafas ao serviço de todos os técnicos, num tempo em que não eram ainda utilizados computadores. Hoje um modesto chefe de divisão escolhe a melhor sala do serviço para seu gabinete pessoal, conta com uma ou duas funcionárias de secretariado, tem vários benefícios, é escolhido por concurso e são muitos mais os incompetentes do que no passado. 

Recordo esta situação a propósito do argumento usado por Paulo Macedo em sua defesa depois de ser acusado pelo ex-director do INEM. O argumento de que não fez qualquer pressão porque os lugares de chefia no Estado são escolhidos por concurso seria legítimo se estes concursos não fossem uma verdadeira farsa, uma farsa montada com o dinheiro dos contribuintes para que se dê legitimidade a escolhas duvidosas.

Em mais de 90% dos concursos no Estado toda a gente sabe quem vai ficar com o lugar muito antes de este ser posto a concurso. A fantochada é tão grande que em muitos casos só concorrem aos cargos malucos. O mesmo sucede com os concursos para subdirectores-gerais e directores-gerais, conduzidos pela CRESAP. Há mesmo casos em que há um único candidato porque ninguém com bom senso se arrisca a disputar um lugar quando já se sabe quem é o eleito e este vai estar em posição de se vingar de tal ousadia.

Os políticos não podem ter sol na eira e água no nabal, primeiro manipular os concursos e depois dizerem que as escolhas são feitas por concurso. Culpado ou inocente, Paulo Macedo vai ter de encontrar melhores argumentos para provar que não influenciou as escolhas. Mas s sua defesa revela o lado sujo destes concursos, dantes os políticos assumiam as suas escolhas, agora escolhem quem querem através de falsos concursos e depois dizem que nada tê que ver com as escolhas.

Já é tempo de um governo escolher uma comissão de inquérito independente e ver o que se passa no Estado com os falsos concursos para lugares de chefias.

PS: Ainda que mal pergunte, ó Dr. Macedo quando nomeou Luís Cunha Ribeiro para a ARS de Lisboa também foi na sequência de um concurso da CRESAP?

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