sábado, janeiro 21, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Maria João Avillez, ideóloga da direita chique

A desorientação da direita é tão grande e o seu ódio a um governo apoiado pelo parlamento é tão grande que até Maria João Avillez, uma ideóloga de segunda linha desta extrema-direita chique se atira aos patrões. Passos borrifa-se na concertação, a João desanca nos patrões.

«O mais pasmoso são porém duas coisas: primeiro o fingimento. Um acordo político, falsamente vendido como negociado (?), pretensamente já fechado (?) e supostamente abençoado do alto. E depois a arrogante convicção — nunca sequer maculada pela dúvida — de que era só Passos Coelho assinar de cruz esta trapalhada que “agradaria aos patrões” e pronto, rumava-se até ao próximo episódio. Isto é, à próxima pirueta, ao próximo equívoco.

Sobre os patrões, já agora convém lembrar que não comovem especialmente: alguém os viu aflitos, constrangidos ou sonoramente discordantes da geringonça? Não. Um dia estão com a AD de Passos e Portas, no outro, o que lá vai, lá vai: a vida continua com socialistas e comunistas, porque não? Desde que tenham, de cada vez, o número do telemóvel do ministro das Finanças no bolso, e o chapéu de chuva do Estado, tudo segue. A quem infundem eles respeito, a quem surgem como espelho de uma elite sólida e substancial? Quem os considera com um grupo coeso, com norte e critério? Quase ninguém (há excepções, já sei, há sempre, são as que confirmam a regra).» [Observador]

 A Procuradora-Geral está de parabéns

Depois de tudo o que por aí foi escrito acerca de Sócrates e de outros arguidos em processos do MP a chefe desta organização da justiça está de parabéns, quando se receava que no caso do plasma se começasse a saber dos pormenores da vida dos arguidos fez-se um silêncio total, mesmo a tempo de o nome de Paulo Macedo, uma espécie de Nossa Senhora da Ladeira do regime ser conspurcado na comunicação social. Finalmente um processo sem devassa e sem que a Procuradora-Geral tenha sido obrigada a abrir mais um dos seus processos cansativos de investigação de violações do segredo de justiça.

      
 Hoje
   
«Um dia, vi um homem parar um carro pobre, numa estrada de terra vermelha, à entrada de uma ponte. Sobre um pilar estava uma bacia de esmalte rachado e nela laranjas pequenas. "Quanto?", perguntou o homem com uma camisa modesta. O miúdo negro disse: "Dois angolares." Sem outra palavra, o homem abriu a mala do carro. O miúdo fez rolar as laranjas na mala. O homem pôs na palma da mão estendida uma moeda de cinco tostões, um quarto do preço pedido. O miúdo nem esboçou um protesto, ficou na berma a ver o carro partir e a sentir a poeira assentar.

(...)

Um dia, depois desses dias que me formaram, hoje, eu dei-me conta de que um homem que varreu os adversários do seu partido amesquinhando-os, que apoucou deficientes, que rebaixou o heroísmo autêntico na guerra de um correligionário seu (ele, que para fugir dessa mesma guerra pretextou doenças que não tinha), que se me apresentou, em palcos públicos, sem compaixão por pais que perderam o filho, que achincalhou as doenças, verdadeiras ou inventadas por ele, da adversária, que levou a humilhação como a arma principal da luta política, um dia, dizia eu, vou ver esse homem a tomar o poder mais poderoso do mundo. Contra ele recuso-me, neste dia, a discutir as ideias dele, políticas, económicas ou ecológicas. A partir de amanhã, certamente. Hoje, tenho a dizer, tão-só, que é um dia desgraçado.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 JJ firme e hirto
   
«“Nunca quebrei nem vou quebrar”. Apenas com o campeonato para disputar, e a oito pontos do líder da competição, o treinador do Sporting garante que está no Sporting para ficar — “sou um treinador de projeto” –, apesar de reconhecer que “os resultados não são os melhores”.

O momento é difícil em Alvalade. Mas o treinador dos leões garante que a sua continuação no banco da equipa não está em causa. “A minha resposta está dada pelo presidente. Nunca quebrei nenhum projeto nem vou quebrar!”. Recuando 24 horas, em entrevista à TSF, Bruno de Carvalho tinha dado sinais de querer ter uma voz mais ativa nas opções técnicas da equipa (por exemplo, ao pretender que seja a administração a escolher um adjunto para Jesus). Mas também deixava clara a permanência de Jesus em Alvalade. “Jorge Jesus é o meu treinador“.» [Observador]
   
Parecer:

Pudera, vinte milhões é muito dinheiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O eterno Narciso
   
«Narciso Miranda vai candidatar-se à Câmara de Matosinhos, uma autarquia que liderou durante três décadas, e a sua candidatura será anunciada já no próximo mês, apurou o PÚBLICO.

Tal como aconteceu em 2009, Narciso Miranda candidata-se como independente e recupera a máxima que Rui Moreira usou na sua candidatura – "O meu partido é o Porto", em 2013 –, afirmando, por sua vez: “O meu partido é Matosinhos”.» [Público]
   
Parecer:

São poucas as personagens a quem o nome assenta tão bem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 PSD unido como nunca
   
«Os líderes das distritais do PSD quiseram dar um sinal de união do partido em torno da liderança de Pedro Passos Coelho e aprovaram um documento que aponta nesse sentido. “Esta é a hora das convergências. Não há espaço para agendas pessoais ou paralelas”, lê-se nas conclusões do texto a que o PÚBLICO teve acesso e em que apela ao “empenho de todos” para vencer o desafio autárquico.

O documento foi subscrito por todos os líderes das distritais que assinalaram o momento de união num jantar esta quinta-feira, em Lisboa. Só faltaram três presidentes de comissões políticas – Aveiro, Setúbal e Bragança – que também assinaram o texto, segundo um dos promotores da iniciativa. Os sociais-democratas querem pôr água na fervura nas polémicas internas do partido e apontar as próximas eleições autárquicas como o grande objectivo. Um recado que pode ser entendido para quem pretendia antecipar um congresso para este ano.» [Público]
   
Parecer:

Até parecem o Bruno a apoiar o Jesus.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se para ver quantos manifestos assinam até ao galo cantar.»

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