quinta-feira, janeiro 12, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República

No passado dia 15 de Dezembro um cidadão português foi preso na Alemanha a pedido do Ministério Público, sinal de que se tratava de alguém que deveria ter cometido crimes graves e que por estar na Alemanha podia fugir à justiça. O homem foi detido, apresentado ao país como um bandido, difamado sem quaisquer complexos.

Dias depois a justiça alemã mandou a justiça portuguesa apanhar gambuzinos, o mesmo homem foi libertado e por sua iniciativa viajou para Portugal, aterrou num aeroporto sem polícias e mandou avisar os justiceiros que já cá estava. Agora quase um mês depois o homem foi constituído arguido e ouvido pela justiça.

Se era para o ouvir quase um mês depois porque razão o MP mandou prender o homem na Alemanha com todo o espectáculo que se seguiu. Porque razão alguém conheceu a prisão estrangeira, foi humilhado e difamado se nem sequer havia pressa em ouvi-lo? Os mecanismos da investigação criminal são usados para apurar a verdade ou como instrumentos de tortura e de difamação de cidadãos portugueses?

PS: o MP já fez grandes avanços nas suas investigações às muitas violações do segredo de justiça e em particular no âmbito do processo que abriu na sequência da publicação do livro da alcoviteira de Belém?

«O antigo patrão de José Sócrates Paulo Lalanda e Castro está nesta quarta-feira de manhã a ser ouvido no Campus da Justiça em Lisboa. Foi constituído arguido no âmbito da operação O Negativo, em que está em causa o monopólio da venda de plasma durante vários anos pela multinacional Octapharma, a farmacêutica que geria e da qual se demitiu há menos de um mês, na sequência desta investigação.

Existem suspeitas da prática dos crimes de corrupção activa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais. O empresário, que tem residência oficial na Suíça, foi detido em meados de Dezembro na cidade alemã de Heidelberg, onde se encontrava em trabalho, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelas autoridades portuguesas. » [Público]

      
 Amigos e admiradores. E nós: obrigado
   
«Dois notáveis testemunhos sobre Mário Soares, hoje no DN. O primeiro é para ser lido numa elipse da história, da campanha presidencial de 1986 para, hoje, este texto de Freitas do Amaral. Aquela campanha foi rude. Nas ruas, a esquerda fazia da direita o regresso da Outra Senhora; e, do outro lado, os loden, os sobretudos verdes dos freitistas, eram a vontade, e expressão vestida, do direito da direita à diferença. O debate entre os protagonistas pode ser resumido na frase assassina de Soares sobre Freitas, do debate televisivo e decisivo: "Reconheço que é um democrata mas ele tem de reconhecer que não fez nada pela democracia." E, hoje, lemos no texto sentido de Freitas, um amigo e um admirador, isto: "Soares não fez de nós socialistas; mas tornou-nos a todos melhores democratas." Na verdade a elipse é mais longa, é de 1974 a 2017, e nós que tanto nos queixamos de líderes podemos ver, na viagem dos dois amigos, um caminho político que foi feito andando. O segundo texto é de outro amigo e admirador de Soares, Jean Daniel, grande jornalista francês. Jean Daniel, fundador do Nouvel Observateur, conheceu Soares no exílio parisiense deste: "Foi amor à primeira vista", escreve hoje. Mas não foi, os bons espíritos não se encontram por acaso. A revista Le Nouvel Observateur sucedeu ao France Observateur, em que na primeira metade dos anos 50 o leitor Soares se formara como democrata e europeu. O caminho faz-se andando, mas só anda quem quer.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Iremos ver Trump em cuecas
   
«A Rússia alega ter “informações pessoais e financeiras comprometedoras” sobre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que já foi informado pelo FBI da existência destes documentos, avançou a CNN na madrugada desta quarta-feira. A reação não se fez esperar, no Twitter, como já tem sido hábito. “É uma caça às bruxas”, escreveu o presidente que vai tomar posse a 20 de janeiro. Barack Obama, que fez o seu último discurso enquanto presidente do país esta terça-feira à noite, também já estará a par.

As informações russas foram sintetizadas num documento de duas páginas, revelado a Trump por James Clapper, diretor das Informações Nacionais, James Comey, diretor do FBI, John Brennan, diretor da CIA e Mike Rogers, diretor da Segurança Nacional norte-americana. De acordo com a CNN, que diz ter por base “múltiplos” membros das autoridades norte-americanas, as informações constavam de um anexo ao relatório sobre a alegada interferência russa nas eleições presidenciais.» [Observador]
   
Parecer:

Este pode ser o político com mais telhados de vidro na história recente. Não se entende como é que uma super-potência fica nas mãos de um bandalho. Trump diz ser uma caça às ruxas, pero wque las hay, las hay...
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila do espectáculo.»
  
 Se tivessem diriam o mesmo
   
«O governo de Vladimir Putin reagiu esta quarta-feira às alegações de que tem em sua posse informações embaraçosas sobre Donald Trump, garantindo que esse não é o caso e acusa os media norte-americanos de "fabricarem" as denúncias com o objetivo de danificar as relações de Moscovo com Washington a apenas nove dias da tomada de posse de Trump.

O Kremlin garante que não tem qualquer "informação comprometedora" sobre Trump nem sobre a sua rival democrata nas eleições de 2016, Hillary Clinton, dizendo que os alegados memorandos entregues às chefias dos serviços de informação norte-americanos por John McCain e apresentados, por estas, a Obama e Trump na semana passada são um "bluff total". Numa conferência de imprensa em Moscovo, esta manhã, o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, sublinhou: "Este relatório não corresponde à realidade e não passa de absoluta ficção. É um bluff total, uma absoluta fabricação, um disparate completo."» [Expresso]
   
Parecer:
Não deve ser difícil ter.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Imposto de selo ou adicional de IVA
   
«A associação que representa os hipermercados pede explicações e “transparência fiscal” ao Governo sobre o Imposto do Selo de 4% sobre as comissões cobradas pelos bancos nos pagamentos com cartões e avisa que, no fim de contas, serão os consumidores a pagar.

Ana Isabel Trigo Morais, directora-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), disse ao Jornal de Negócios que “quando se desenham medidas fiscais para determinados sectores” é importante que “fique claro quem é o sujeito passivo do imposto e quem o vai pagar”.» [Público]
   
Parecer:

É evidente que o imposto de selo que incide sobre as vendas de Multibanco não passa de um adicional de IVA sobe estas operações., A dúvida está em saber se daí vai resultar um aumento da receita ou um aumento da economia paralela pois muitos comerciantes poderão dispensar os pagamentos por Multibanco.

Talvez seja tempo de adoptar legislação sobre a disponibilização de pagamento via multibanco para vendas acima de determinado montante, bem como a proibição de pagamentos a dinheiro entre comerciantes e fornecedoras.

Em relação à posição da representante dos hipermercados, que avisa que serão os consumidores a pagar a conta, alguém devia lembrar à senhora que são os clientes que poagam todas as contas, desde o pacote de açúcar às almoçaradas dos administradores, passando pelo seu próprio ordenado e mordomias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Vital Moreira, o economista
   
«Vital Moreira debruçou-se, no blog Causa Nossa, sobre o dossier Novo Banco, defendendo que a nacionalização do antigo BES "seria a pior opção" para arrumar a questão.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Já foi tanta coisa que um dia destes ainda o vamos encontrar como investigador de física na Estação Espacial Internacional, enfim, na ciência como na política.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»


 Aos poucos vão lá
   
«A hipótese do PSD apoiar Assunção Cristas em Lisboa está a ganhar força no aparelho social-democrata na capital. Agora é um dirigente do PSD/Lisboa — a concelhia que chegou a ser irredutível contra um apoio à líder do CDS — a defender que este é “o caminho mais provável e eficaz” para desalojar Fernando Medina nas próximas autárquicas. Num artigo de opinião publicado no Observador, Luís Newton, que é também presidente da junta de freguesia da Estrela, lembra o exemplo vencedor de Krus Abecassis e nega que o PSD/Lisboa esteja em bloco “contra a ideia de uma coligação de centro-direita”. Este dirigente com influência no Núcleo Ocidental de Lisboa defende que o PSD deve “unir forças” com o partido que tem estado com os sociais-democratas “nas batalhar mais recentes”.

Um dirigente distrital contactado pelo Observador regista a “abertura cada vez maior da concelhia em admitir que um candidato independente ou de outro partido possa ser apoiado pelo PSD.” No entender da mesma fonte, a declaração de Newton é “mais um sinal que a concelhia tem os horizontes mais abertos, tal como foi a moção aprovada pela concelhia há uma semana.”

A concelhia de Lisboa reuniu na noite de 4 janeiro e aprovou uma moção onde estabelece que “após a decisão de não candidatura de Pedro Santana Lopes, urge agora avaliar todos os cenários e uma tomada de decisão rápida que permita ir de encontro aos anseios dos lisboetas”. No mesmo comunicado, o PSD/Lisboa decidiu “mandatar o seu presidente para continuar a desenvolver os esforços junto do presidente do partido para encontrar uma solução que vise este grande objetivo que é o de apresentar uma candidatura que granjeie um apoio maioritário dos lisboetas nas eleições autárquicas de 2017”.» [Observador]
   
Parecer:

A fome do poder obriga a engolir sapinhos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
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